Título na mão e escolha consciente na cabeça: Como se preparar para o primeiro voto

Por Renata Silva Rocha
Mentoria Vania Correia
Compartilhe:
Com o mutirão para atualização ou emissão do primeiro título de eleitor, 1,7 milhão de adolescentes de 16 e 17 anos foram mobilizados e agora avançam para os próximos passos como detentores de voz ativa nas decisões políticas.

O voto para quem tem 16 e 17 anos é facultativo, ou seja, o adolescente possui o direito de votar mas não é obrigado. Porém, o voto juvenil é a oportunidade de pautar o futuro do país com temas de interesse das novas gerações, engajando os jovens na escolha de nossos representantes políticos.

E lembre-se: A jornada cidadã não termina na emissão do título, e a democracia não se limita à urna. Acompanhar a atuação dos eleitos e exigir os direitos da coletividade é o que, de fato, consolida essa conquista.

Jovem exibe seu título de eleitor.
Créditos: TSE

Conforme balanço divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil alcançou a marca de 158 milhões de eleitores aptos para votar em 2026, com 88,7% de biometrias coletadas. Desse total, houve 5 milhões de novos alistamentos, sendo 1,7 milhão de novos eleitores jovens na última fase. Contudo, eles ainda representam apenas 29% do total de 5,8 milhões de jovens que poderiam votar no país.

Portanto, podemos concluir que, mesmo havendo um aumento significativo no cadastro de biometrias, a maioria dos cidadãos nesta faixa etária ainda continua distante do processo eleitoral. Neste caso, a Justiça Eleitoral e a sociedade enfrentam o desafio de criar estratégias mais eficazes de conscientização democrática voltadas para este público.

Preparação Pós-Título de Eleitor 

Com o protagonismo juvenil em pauta, os adolescentes brasileiros têm agora um novo foco: compreender as atribuições de cada cargo e as propostas dos candidatos em disputa. Para ajudar neste processo, o site Conecta Gabinete explica o papel de cada ofício e, em ferramentas como DivulgaCandContas do TSE, é possível acessar o plano de governo e a situação do registro de cada candidato.

O jovem eleitor deve saber exatamente  quem está escolhendo. Nas eleições 2026, os votos serão para: Presidente e Vice-Presidente; Governador e Vice-Governador; dois Senadores e seus suplentes; e Deputado Federal e Estadual (ou Distrital). Para evitar erros, a Justiça Eleitoral, por meio de tribunais regionais como TRE-MT, orienta sobre a sequência da votação na urna eletrônica:

Deputado Federal  (4 dígitos);

Deputado Estadual ou Distrital (5 dígitos);

1ª vaga  – Senador (3 dígitos);

2ª vagaSenador (3 dígitos);

Governador e Vice-Governador (2 dígitos);

Presidente e Vice-Presidente da República (2 dígitos).

Além disso, existe uma ferramenta digital que permite ao jovem eleitor se familiarizar com a urna eletrônica: o Simulador de Votação do TSE. Ele funciona como uma réplica do painel da urna e apresenta candidatos fictícios para fins didáticos. Assim, o jovem pode praticar sem pressão. O simulador ensina a usar os botões “Confirma”, “Corrige” e “Branco”, reforça a sequência correta e oferece recursos de acessibilidade, como suporte em áudio, vídeo e Libras, sendo inclusiva para jovens com deficiência.

Essa prática previne votos nulos, pois um alerta é emitido caso números incorretos sejam digitados, induzindo a conferência do nome e da foto do candidato  antes de confirmar. Ela também reduz o tempo de espera nas filas das zonas eleitorais; ao treinar antes, o processo na cabine tende a ser concluído com mais agilidade.

Combate à Desinformação

Os adolescentes são nativos digitais e, diariamente, alvos de fake news. Em ano eleitoral, o cuidado com a desinformação deve ser redobrado. Pensando nisso, o portal oficial da Justiça Eleitoral oferece a página Fato ou Boato, onde as informações e notícias falsas sobre o processo de votação são verificadas.

O TSE alerta para golpe com cobrança para regularização de pendências eleitorais. Mensagens com termos como “AVISO URGENTE”, que circulam no WhatsApp sobre irregularidades no CPF e título de eleitor, caracterizam golpe e são falsas. Elas contêm links para páginas que imitam o portal  oficial para roubar dados pessoais e induzir o usuário a pagar multas inexistentes via Pix ou boletos. O portal do TSE esclarece que a Justiça Eleitoral não envia mensagens via E-mail ou WhatsApp para regularizar títulos ou cobrar taxas.

Além disso, a desinformação distorce a realidade e acaba influenciando o eleitorado; podendo atuar como uma ferramenta de manipulação política. Algumas práticas comuns são: adulteração de falas fora de contexto, propagação de teorias da conspiração, difamação, acusações de crime, uso de inteligência artificial para criação de dados ou ranking de intenção de votos inexistentes e criação de regras falsas para votação. Esses são alguns dos exemplos de como os boatos confundem principalmente os novos eleitores que acabam tomando decisões baseadas em mentiras e, como também destroem a reputação dos concorrentes.

Para evitar ser um alvo, o ideal é buscar dados também fora das redes sociais. Antes de absorver e repassar qualquer informação, é preciso analisar o plano de governo registrado pelo próprio candidato, consultar veículos jornalísticos de credibilidade e acompanhar agências de verificação, como a Agência Lupa (primeira agência de fact-checking do Brasil, focada em política, economia e saúde).

Organização no dia D

Jovem exerce seu direito de votar em uma cabine eleitoral.
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil

O primeiro turno eleitoral acontecerá no dia 4 de outubro de 2026, e o segundo turno (se houver) no dia 25 de outubro de 2026. O ideal é que o dia da votação seja planejado com antecedência: separe os documentos, verifique o local, confirme o horário e prepare a “colinha” eleitoral com os números dos concorrentes. Como a entrada  com celular na cabine é proibida, a orientação da Justiça Eleitoral  é que a “cola” seja feita em papel.

Se a biometria já está cadastrada, o aplicativo e-Título serve como documentação única. Caso não esteja, um documento oficial com foto (como RG, CNH, carteira de trabalho ou passaporte) deve ser obrigatoriamente apresentado.Neste dia fundamental para a democracia, vale lembrar que é proibido fazer propaganda ou tentar convencer outros eleitores no local de votação. A “boca de urna” é considerada um crime eleitoral no Brasil de acordo com a Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições). É permitida apenas a manifestação individual e silenciosa por meio de camisetas, broches ou adesivos de seus respectivos candidatos. Vale reforçar também, que de acordo com esta mesma lei o aparelho celular deve ser desligado e entregue aos mesários antes de se dirigir à urna eletrônica.

Compartilhe:

Renata Silva Rocha

Acadêmica de Jornalismo pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e estagiária Viração Educomunicação. Atualmente, integra a equipe da Agência Jovem de Notícias, onde alia sua formação acadêmica ao compromisso com o protagonismo juvenil e o direito à comunicação. Interessada por pautas que envolvem direitos humanos, justiça climática e impactos sociais, Renata busca utilizar o jornalismo como ferramenta de transformação comunitária.

Renata Silva Rocha

Acadêmica de Jornalismo pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e estagiária Viração Educomunicação. Atualmente, integra a equipe da Agência Jovem de Notícias, onde alia sua formação acadêmica ao compromisso com o protagonismo juvenil e o direito à comunicação. Interessada por pautas que envolvem direitos humanos, justiça climática e impactos sociais, Renata busca utilizar o jornalismo como ferramenta de transformação comunitária.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress