COP 30: mobilização popular para enfrentar a crise climática

Por Mirella Archangelo
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Essa atividade integrou a programação oficial do pavilhão brasileiro na chamada Green Zone e focou em promover a ampliação da participação social nas políticas climáticas.

A COP 30, que ocorre em Belém, no Pará, organiza diversos debates sobre a ação direta em defesa do meio ambiente, em programação paralela às rodadas de negociação. Na presença de palestrantes e mediadores, esses diálogos buscam conscientizar e ampliar essa discussão para novos horizontes. 

Uma dessas agendas foi realizada no dia 10 de novembro: a mesa “O papel da mobilização popular no enfrentamento da crise climática” contou com a participação do ministro Guilherme Boulos, a ministra Sônia Guajajara e com a assessora de incidência da jovem campeã da Presidência COP 30, Mikaelle Faria. 

Essa atividade integrou a programação oficial do pavilhão brasileiro na chamada Green Zone e focou em promover a ampliação da participação social nas políticas climáticas.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL 

A mobilização social pautada para as questões ambientais é uma luta antiga dentro das Conferências sobre o Clima. Porém, um diferencial dessa COP no Brasil é a participação popular. Isso porque a criação de áreas como a Yellow Zone e a Cúpula dos Povos descentralizam o debate climático em Belém. 

A COP 30 é um espaço de oportunidade para participação democrática que está sendo aproveitado pela sociedade civil organizada. Essa mobilização fomenta a cobrança com os chefes de estado para a implantação de medidas públicas que respeitem o meio ambiente. Bem como, a voz do povo tornou-se protagonista ao propor novos futuros que se distanciam desse cenário atual alarmante do meio ambiente. 

O DEBATE

Mikaelle Faria iniciou a roda de conversa apresentando a potência da juventude no combate às mudanças climáticas. Em sua fala, demonstrou como os jovens são responsáveis pela perpetuação da luta ambiental por meio da mobilização da sociedade. 

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, trouxe em seu discurso a importância de perpetuar esse movimento ambiental após o fim da COP 30. Em suas palavras: “A COP não pode terminar em si mesma”. 

O ministro ressaltou como é desigual o impacto das mudanças climáticas sobre as populações. Isso porque os territórios localizados nas periferias urbanas são os mais afetados de maneira direta pelas mudanças climáticas, por exemplo, o calor extremo, o deslizamento de morros e as enchentes a beira de rios. Ele acrescentou que são esses grupos vulneráveis que possuem menos recursos para realizar processos de mitigação. Segundo Boulos: “A proteção para uns é maior do que para outros. A vulnerabilidade para uns é maior do que para outros”. 

Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, declarou que não pode haver soluções para as mudanças climáticas sem incluir os povos indígenas. Os verdadeiros protetores da floresta, que possuem um entendimento profundo e prático sobre o meio ambiente, são um dos grupos mais atingidos pelas mudanças climáticas. A ausência da demarcação de terras, o garimpo e o desmatamento são um dos problemas enfrentados por esse grupo.

A ministra reforçou que essa é a COP da participação social. Segundo seu discurso: “ O presidente Lula chamou essa COP da verdade, a ministra Marina Silva disse que é a COP da implementação e nós dissemos que essa é a COP da participação social.”

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