Pensar questões raciais em um país que se estrutura por raça e gênero é um convite para discutir projetos de sociedade decolonizada que questione as perspectivas hegemônicas.
No Brasil, 56,10% da população se autodeclara negra. Somos o país com maior população negra fora da África – mas isso não reflete a presença de pessoas negras em cargos com poder de decisão, seja nas empresas, governo e organizações sociais, seja nas profissões historicamente acessadas por pessoas com alto poder aquisitivo, como medicina e direito. Tampouco a população negra do Brasil está entre a maioria a publicar livros e a ocupar espaços nos programas considerados importantes da TV brasileira.
Acrescendo o componente de gênero à questão racial, mulheres, jovens, adolescentes e meninas são as que têm menos oportunidades, os menores salários e são vítimas de diversas violências. Estamos em 2020, ano em que o ECA completou 30 anos, mas crianças pretas seguem sendo as mais vulneráveis a violências. Adolescentes e jovens pretos, a partir dos 15 anos, têm 3 vezes mais chances de serem assassinados do que brancos. Quando pensamos na população LGBTQIA+ preta, lembramos que os componentes sociais esperados pela sociedade hetorocispatriarcal não estão presentes. Isso significa pensar todas as violências lgbtfóbicas adicionadas às violências raciais.

O povo preto não quer ser lembrado só em novembro. Por isso, a construção desta revista manifesto, diversa e multimídia, junto com tantas outras manifestações de diversos setores da sociedade, são de imensa importância e marcam o ano de 2020 na história das lutas antirracistas.

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Materiais extras
As discussões que foram pauta da Revista – manifesto antirracista extrapolaram as 40 páginas da edição 117. Clique aqui e acesse a coleção de publicações extras da revista na Agência Jovem.