Você conhece a governança global do clima?

No terceiro artigo sobre a formação do Instituto Pólis sobre Justiça Climática e Direito à Cidade, vamos entender como o mundo tem se organizado pra pensar e implementar as mudanças necessárias para enfrentar a crise do clima.

Por Amanda Costa

A COP – Conferência das Partes é um encontro anual que acontece de forma rotativa nos cinco continentes. Apesar da COP ser a amiga mais famosa do grupo, outras duas conferências são super importantes: o SBI (Órgão Subsidiário de Implementação) e o SUBSTA (Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico):

  • SBI — Órgão Subsidiário de Implementação: É aqui que os novos artigos são debatidos, principalmente o tema de perdas e danos. Nesse órgão, as partes negociam a criação de novos acordos do texto original e ocorrem deduções subsequentes da convenção.  
  • SBSTA — Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico: Ocorre em paralelo ao SBI, tratando de relatórios científicos e definindo diretrizes para relatórios de reduções de emissão. É tipo o amigo nerd do grupo, espaço onde a galera científica troca ideias e aconselha os tomadores de decisão durante as COPs.
  • COP — Conferência das Partes: “Partes” se traduz em Estados-membros da ONU. A COP acontece uma vez por ano em novembro ou dezembro, reunindo ministros do governo para votarem em pautas que seus negociadores prepararam durante todo o ano. Em outras palavras, é a parte chique do rolê, onde as decisões são tomadas e há forte presença da mídia.

Um dos principais objetivos da COP é reunir os estados-membros da ONU (partes interessadas) para chegar a acordos que impedirão o aumento da temperatura média da Terra para além de 1,5ºC. À primeira vista, pode parecer complexo. Assistimos o debate no jornal, vemos líderes mundiais se reunindo para firmar acordos… Mas afinal, o que será que acontece lá dentro?

A COP segue uma estrutura básica, que se dá por:

  1. Plenária de abertura 
  2. Cúpula dos líderes
  3. Negociação em grupos menores
  4. Segmento de alto nível
  5. Plenário final + reuniões bilaterais e encontros de outros organismos


Quem pode participar?

  • Vermelho: chefe de uma delegação de uma parte
  • Rosa: credenciada por um governo
  • Amarelo: membro de uma organização observadora
  • Verde: organização intergovernamental
  • Laranja: imprensa (centro de mídia, vedado negociação) 
  • Azul: secretariado da UNFCCC;

As credenciais dependem de qual “stakeholder” (ator social) você representa. As três credenciais de cima (rosa, vermelha e azul) são da galera chyyyque (governo + membros da ONU), os quais podem entrar em todas as salas da conferência. Já as credenciais de baixo (amarela, laranja e verde) pertencem ao pessoal das ONGs, Mídia e algumas agências da ONU que, infelizmente, não possuem livre acesso (reuniões que acontecem a portas fechadas).
A credencial dos observadores (laranja) é composta por 9 grupos:

  • Business (BINGO): representantes dos negócios;
  • Researches (RINGO): pesquisadores da UNFCCC;
  • Farmers: fazendeiros – pautam principalmente a produção de comida, energia e créditos de carbono;
  • Trade Unions Non-Government Organizations (TUNGO): constituinte formada por grupos sindicais não governamentais. 
  • Women and Gender (WGC): grupo composto por organizações que pautam gênero e clima;
  • Indigenous People (IPO): formado por ONGs compostas por representantes dos povos tradicionais;
  • Environmental NGOs (ENGO): organizações que trabalham com a temática socioambiental;
  • Local governments and Municipality Authorities (LGMA): representantes dos governos subnacionais;
  • Children & Youth (YOUNGO): todes que possuem menos de 35 anos ou trabalham numa organização de jovens.


A COP é uma loucura. Ao mesmo tempo que acontecem as negociações, há vários eventos paralelos rolando. Em 2023, a COP 28 – Dubai teve 9 salas para eventos paralelos oficiais da ONU. Agora imagina que esses eventos oficiais “concorrendo” com eventos sediados pelos Estados-parte, organizações do terceiro setor e rede de indústrias e grandes empresas.

O pavilhão do Brasil, por exemplo, foi um dos 225 pavilhões montados, e abrigou 129 panies distribuídos em duas salas, trazendo os seguintes temas: 

  1. Adaptação e Perdas e Danos;
  2. Financiamento climático e mercado de carbono;
  3. Florestas e Bioeconomia;
  4. Governança climática compartilhada: Entes e Poderes
  5. Indústria e Gestão de Resíduos;
  6. Justiça climática, Juventudes, Igualdade de Gênero e Racismo Ambiental
  7. Oceanos, Gestão costeira e Recursos Hídricos
  8. Povos Indígenas, Povos e Comunidades Tradicionais;
  9. Segurança Alimentar e Agricultura de Baixa Emissão de Carbono e
  10. Transição Energética e Transportes.

Pode parecer uma salada russa (e realmente é rs),e a gente pode se sentir um pouquinho confusos. Ao final da apresentação, Vitor trouxe algumas coisas para trazer paz ao nosso coração ansioso, mostrando algumas atividades que podemos fazer durante a COP, como


Além disso, nesses tipos de conferência sempre é possível articular com parceiros, buscar novos aliados e financiadores para projetos, ficar por dentro de temas “quentes”, monitorar posicionamento do “adversários políticos” e reencontrar amigos de diversaaaas partes do mundo.

No final das contas, pode ser uma experiência bem rica e interessante 🙂 

Ufa! Agora chegamos ao fim. Espero que esse compilado de informações possa te ajudar na sua caminhada climática, minha querida leitora. 

Um beijo e até mais <3

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