Há apenas seis horas da Europa, localizado no golfo da Guiné sobre a linha do Equador, São Tomé e Príncipe – que está no centro do mundo – é o segundo menor país de África, apenas maior que as Seychelles.
Com uma população de cerca de 220 mil habitantes, São Tomé e Príncipe é uma nação insular de língua portuguesa conhecida pela sua biodiversidade única, com praias de águas quentes cristalinas e areia fina e dourada, espécies endémicas raras, florestas tropicais exuberantes, picos vulcânicos e ecossistemas costeiros.
A cultura do “leve-leve”, o sorriso fácil das suas gentes e a produção histórica do cacau e do café transformam São Tomé e Príncipe num paraíso de sonhos, um lugar onde o tempo parece congelar numa simbiose artística e uma beleza ímpar.


Tudo começou em 2012 quando a ilha do Príncipe, a segunda maior do arquipélago de São Tomé e Príncipe, foi classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera que abrange toda a sua área terrestre e marinha. A ilha tem uma área de 142 km² e uma população estimada, em 2025, de 9.875 habitantes. A capital é Santo António do Príncipe.
A Reserva da Biosfera compreende toda a área terrestre da ilha do Príncipe, os seus ilhéus e ainda as ilhas Tinhosas, localizadas a cerca de 20 km a Sudoeste da ilha do Príncipe.
Ao reconhecer a necessidade de preservar todo o seu património nacional, São Tomé e Príncipe decidiu ampliar o estatuto atribuído ao Príncipe. Assim, em 2025, todo o território nacional passou a ser oficialmente reconhecido como Reserva da Biosfera pela UNESCO, tornando-se um dos primeiros países do mundo a alcançar este modelo de proteção integral.
O arquipélago tem como objetivo manter tal estatuto através da educação ambiental. Desde 2023, é reconhecido como um destino de excelência para ecoturismo, passando também a integrar a CPLP MAB, a rede das reservas da biosfera da CPLP.
O Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, engenheiro Carlos Manuel Vila Nova, que não podia ficar indiferente a esta efeméride, destacou a importância histórica deste reconhecimento, sublinhando que é “o primeiro país no mundo cujo território inteiro é Reserva Mundial da Biosfera”. Para o chefe de Estado, este feito é motivo de orgulho nacional e resultado da responsabilidade colectiva dos santomenses na preservação ambiental. Carlos Vila Nova reforçou que “não é a mão de uma pessoa, mas a mão de todos” que garante o êxito, apelando à união e solidariedade para proteger o país e o seu futuro.
A nova Reserva da Biosfera cobre cerca de 1.130 km², incluindo montanhas vulcânicas, florestas tropicais e terras férteis. O arquipélago abriga 148 espécies de plantas nativas, além de répteis, anfíbios e aves endémicas. Entre as áreas privilegiadas de conservação destacam-se o Ilhéu das Cabras, o Ilhéu Santana e o Ilhéu das Rolas, que reforçam a singularidade ecológica do território.






Mas o que isto significa na prática para o país e para as populações?
O título de Reserva da Biosfera implica responsabilidades concretas, significa que o país deve assumir na prática compromissos sérios assumidos para fazer face à:
- Proteção e recuperação das florestas e áreas devastadas pelo corte abusivo de árvores: para a produção do carvão, para as construções de habitações residenciais, práticas culturais milenares enraízadas no âmago da sua população;
- À redução da extração de inertes: que tem provocado erosão costeira e corroborando para a aproximação do mar à terra num país onde a superfície marinha é superior à terrestre.
- Tratamento de lixos: que tem causado graves problemas ambientais e marinhos, prejudicando espécies raras que sobrevivem no arquipélago, além de constituir um problema sério de saúde pública.
- Tratamento adequado de resíduos sólidos: a poluição causada por sacos plásticos convencionais tornou-se uma séria ameaça ambiental em São Tomé e Príncipe, afetando ecossistemas terrestres e aquáticos em todo o território, a diminuição do pescado em épocas onde a pesca era significativa, o baixo caudal dos rios que tem causado fricção social nas comunidades que dependem deste recurso, a diminuição de pluviosidade em épocas chuvosas.
- Preservação de mangais e ecossistemas marinhos: a poluição degradação da única e maior maior área de mangais da ilha, situada no sul de São Tomé, e outros fenómenos climáticos que as populações têm enfrentado.
- O Combate à poluição por plásticos: com lei da proibição da venda de sacos plásticos em vigor desde 15 de setembro de 2025.
O Governo tem trabalhado em parceria com parceiros de cooperação internacionais como as agências da ONU e organizações não governamentais para o desenvolvimento e com as populações para enfrentar os desafios ambientais e sociais, como a diminuição da pesca, a escassez de água nos rios e os impactos das mudanças climáticas. Contudo, a consciencialização coletiva tem sido um grande desafio.


Este reconhecimento integral de São Tomé e Príncipe como Reserva da Biosfera não é apenas um título honorífico. Vem reforçar o compromisso coletivo com a sustentabilidade, a solidariedade e o futuro das próximas gerações.
Mais do que um destino turístico paradisíaco, o arquipélago assume-se como um modelo global de preservação ambiental, mostrando que é possível conciliar desenvolvimento, cultura e respeito pela natureza.
São Tomé e Príncipe prova que, quando um povo se une em torno de um objetivo comum, consegue transformar a sua pequena dimensão geográfica numa grande referência mundial.
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As imagens usadas nessa publicação foram gentilmente cedidas por Anderson Martins, Guia Turístico Nacional em São Tomé e Príncipe. Siga nas redes sociais facebook e instagram.