Um olhar para a vizinhança

Compartilhe:

Sérgio Rizzo, crítico de cinema*

Responda rápido: quantos escritores, cineastas, músicos e artistas plásticos dos países vizinhos ao Brasil você conhece? Agora, compare com o número de norte-americanos. É provável que tenha dado uma goleada para os EUA. Embora estejamos cercados na América do Sul por sociedades muito semelhantes às nossas, e que falam um idioma de fácil compreensão, um abismo nos separa delas.

Por causa desse fenômeno mais econômico do que cultural, não convém perder a chance de conferir um filme sul-americano sempre que ele chegar por aqui. É o caso de “O Segredo dos Seus Olhos”, que deu à Argentina seu segundo Oscar de filme estrangeiro (o primeiro foi para “A História Oficial”, sobre a ditadura militar dos anos 70 e 80) e ainda está em cartaz nos cinemas, e de “Gigante”, produção uruguaia premiada em diversos festivais e já disponível em DVD.

São dois longas-metragens bem diferentes, só para lembrar que não faz muito sentido acreditar que exista um “padrão” no cinema sul-americano. Basta olhar para o Brasil, que produz quase 100 longas todos os anos.

Nesse pacote, existem desde comédias de humor televisivo dirigidas ao público dos shoppings, até trabalhos mais experimentais voltados para plateias menores. Dos outros países do subcontinente, a Argentina tem a produção mais significativa, tanto em números quanto em qualidade.

“O Segredo dos Seus Olhos” permite notar isso, com seu ótimo acabamento técnico e narrativo. Dirigido por Juan José Campanella, que costuma trabalhar em seriados dos EUA, o filme usa o assassinato de uma jovem para falar do cenário político do país,

misturando ingredientes do suspense policial e do drama romântico. Gigante arrisca-se mais, ao contar a história de um segurança de supermercado que se apaixona por uma das faxineiras. Seu diretor, o músico argentino Adrián Biniez, mudou-se há seis anos para Montevidéu, onde se profissionalizou como cineasta.

www.sergiorizzo.com.br

Imagem de divulgação

Texto publicado na edição nº 61 da Revista Viração, em abril de 2010

 

 

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress