A crise climática exige respostas urgentes e coletivas, mas não será possível enfrentá-la sem a participação ativa de todos os setores da sociedade – especialmente da juventude.
No contexto lusófono, jovens vêm demonstrando que a inclusão intergeracional não é apenas necessária, mas também enriquecedora, trazendo criatividade, diversidade e inovação para os processos de transparência climática.

Moçambique, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, São tomé e Príncipe discutindo ideia sobre como
Incluir jovens no processo de transparência, Brasilia, Manhattan Hotel.
Durante o seminário do Núcleo Lusófono de Transparência Climática, realizado em Brasília, Brasil, entre os dias 8 e 11 de Abril, organizada pela Parceria para a Transparência no Acordo de Paris (PATPA) e pelo Climate Promise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sob o tema “A importância de NDCs transparentes e monitorizáveis para atrair investimento climático”, registaram-se avanços significativos com a inclusão de representação juvenil, provenientes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Estes Estados partilham uma realidade demográfica incontornável — em todos eles, uma parte significativa da população tem menos de 25 anos, superando os 60% em grande parte dos casos. Esta estrutura etária não só reforça a legitimidade da juventude como parte interessada, como torna evidente que nenhuma política climática será verdadeiramente transparente e sustentável se excluir quem representa a maioria da população. Mais do que herdeiros do futuro, os jovens destes países assumem-se hoje como protagonistas do presente.
Como fruto desta inclusão, foi criado e apresentado o Guia de Inclusão da Juventude no Processo de Transparência, desenvolvido em resposta a um desafio proposto pelo próprio Núcleo Lusófono. O documento apresenta as razões pelas quais a participação dos jovens em matérias de transparência climática é essencial, bem como os principais pontos de entrada para essa participação nos Relatórios Bienais de Transparência (BTRs). Dá especial ênfase à importância das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) transparentes e monitorizados para atrair investimento climático, sobretudo através do envolvimento juvenil no seu desenho, implementação e, mais importante ainda, na sua monitorização — um marco para a participação efetiva dos jovens na governança climática.
A juventude não é apenas “o futuro” – é parte ativa do presente, trazendo perspectivas únicas sobre justiça climática, adaptação e mitigação. Sua participação garante que os BTRs e as NDCs, sejam mais representativos e eficazes.

Moçambique, Guiné Bissau, Guiné Equatorial,
São tomé e Príncipe, foto de grupo em Brasilia, Manhattan Hotel
É imprescindível que haja caminhos práticos para garantir a participação efetiva dos jovens:
- Abertura institucional: através de consultas públicas e auscultação dos jovens, mapeamento de iniciativas juvenis e mecanismos acessíveis de contratação.
- Acesso à informação e conhecimento: as informações e conhecimentos existem, mas muitas das vezes não são acessíveis.
- Educação inclusiva e capacitação: formação técnica adaptada, com narrativas claras e inclusivas, onde existam tradução de documentos técnicos para linguagens acessíveis, considerando jovens indígenas, com deficiência, jovens mulheres e de comunidades marginalizadas.
- Espaços de governança: inserção de jovens na formulação e monitoramento de políticas climáticas.
- Comunicação transparente: envolvimento jovem na redação de relatórios e divulgação de dados.
- Monitoramento e implementação das NDCs: participação ativa no acompanhamento das metas climáticas nacionais.
Durante o evento, jovens compartilharam suas vivências, destacando avanços e obstáculos.
Entre os desafios estão:
- Falta de acesso a informações técnicas;
- Barreiras linguísticas e educacionais;
- Dificuldade em ocupar espaços de decisão;
- Barreiras na inserção profissional na agenda climática
- Fraca representatividade juvenil na agenda climática
Por outro lado, as soluções apresentadas reforçam a importância de:
- Rede de apoio entre pares;
- Maior inclusão
- Parcerias com governos e ONGs;
- Ferramentas educomunicativas (como a futura Revista Digital Youth4Transparency).
Que ambições climáticas queremos?
A resposta está na inclusão radical da juventude. Se queremos ambições climáticas justas e eficazes, é preciso ouvir as vozes que hoje constroem soluções – muitas vezes à margem dos espaços formais. O Guia de Inclusão Juvenil do Núcleo Lusófono é um passo crucial, mas o caminho até a COP30 exige mais: orçamentos participativos, políticas afirmativas e justas e a garantia de que nenhum jovem será deixado para trás na ação climática.
No Núcleo Lusófono de Transparência Climática a inclusão juvenil tem sido evidente.
A pergunta que fica é: Noutros espaços de discussão, estamos prontos para abrir espaço para inclusão juvenil?