ONU, me deixa te dizer o que penso da agenda Pós-2015!

Compartilhe:

Diego Callisto | Imagem: Branco Contreras Miranda/Creative Commons

 

11104035_10202772384909634_1501850555_n

 

As negociações envolvendo a agenda de desenvolvimento pós-2015 foram bem complexas e delicadas. Chegar a um acordo, envolvendo vários países de diferentes demandas e posições políticas, exigiu uma capacidade quase que sobrenatural de dialogar, acordar, articular e estabelecer metas. Todo acordo em regime de consenso, como estabelece e determina a ONU nos processos de negociação dos objetivo de desenvolvimento sustentável — ODS, requer um grande esforço e dedicação, no sentido de acompanhar de perto uma agenda que a cada assembleia se modifica e reconfigura.

Diferente dos ODM — Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em que a agenda foi configurada pelo secretariado da ONU, objetivando orientar os esforços dos países em desenvolvimento para alcançar os objetivos até o ano de 2015, através das oito metas, também chamadas de “Oito jeitos de mudar o mundo”, a construção da agenda de desenvolvimento pós-2015 contou com uma nova estratégia para evitar que a nova agenda e seus novos objetivos repetissem os mesmos erros: estabeleceu-se mecanismos e processos intergovernamentais, através de grupos e comissões de trabalho, como o GTA e a Comissão de Peritos sobre Financiamento do Desenvolvimento Sustentável.

Sem sombra de dúvidas a formação do GTA — Grupo de Trabalho Aberto, foi o pontapé inicial para estabelecer um equilíbrio de propostas no sentido de garantir que os objetivos estivessem apoiados no tripé social, ambiental e econômico, permitindo que as negociações fossem horizontalizadas, propositivas, contemplativas e sustentáveis. A estratégia de estabelecer a formação de grupos intergovernamentais permitiu que os objetivos de desenvolvimento sustentáveis fossem trabalhados em uma perspectiva mais ampla e aberta a discussões e contribuições para temas mais sensíveis e que geram muitos posicionamento controversos.

Por ser jovem, viver com HIV, ser uma liderança e já ter conhecido a realidade de vários países, busquei acompanhar de perto tanto os objetivos e temáticas sobre HIV e saúde, quanto os de juventude, no sentido de entender e compreender a dinâmica de como as negociações se desenrolaram especificamente nesses dois temas. Acredito que o tema de juventude é transversal a todos os objetivos e, consequentemente, temáticas da agenda pós-2015, justamente pelo fato de que a juventude é o presente e o futuro dessa geração, diante disso precisa-se compreender que os direitos da juventude não são só sobre educação e emprego, e nem os recursos do nosso planeta são infinitos. A juventude perpassa todos os ODS — Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis e precisa de uma agenda mais propositiva, que garanta o desenvolvimento humano e ambiental de forma sustentável e que reconheça a importância dos direitos sexuais e reprodutivos, HIV/AIDS, igualdade de gênero, ocupação estrangeira e acesso a saúde e justiça são temas centrais para os jovens de todo o mundo.

Em relação a AIDS, existe a séria preocupação com o fato de que o ODM 6 — de combate a AIDS, a Malária e outras doenças — seja reduzido a uma meta de saúde e dinâmica populacional, entre as 100 metas distribuídas em 17 objetivos, isto é, a calibração dessa temática entre as agendas é preocupante, justamente pelo fato de que por mais que tenhamos avançado no campo da ciência e dos direitos humanos, a AIDS ainda é um entrave ao desenvolvimento humano e tem afetado grande parte dos nossos adolescentes e jovens, principalmente aqueles com idade entre 15 e 24 anos.

É inegável que a agenda pós-2015 determinará os rumos do futuro que queremos e as metas que os países, desenvolvidos e em desenvolvimento, vão incorporar e desenvolver em suas nações ao longo dos próximos 15 anos, contudo cabe ressaltar que as discussões sobre os meios de implementação dessas metas e objetivos e a forma de incorporação delas, através do debate sobre responsabilidades comuns, porém diferenciadas entre os países, vão ecoar e reverberar diretamente no modelo político que a ONU e seus países-membros possuem, configurando um novo cenário da política global, e, consequentemente uma nova configuração dos serviços que perpassam os direitos humanos e uma sociedade desenvolvida e sustentável.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress