Longe de casa

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História de amor sobre uma geração de afegãos que vive clandestinamente em outros países e não conhece sua pátria

Sérgio Rizzo, crítico de cinema*

Os afegãos vivem um dos piores dramas do planeta há mais de 20 anos. De 1979 a 1989, houve a batalha contra a invasão soviética. Depois, a milícia Taliban impôs sua hegemonia sobre as demais e mergulhou o Afeganistão em tempos difíceis. Por fim, outra invasão, a dos Estados Unidos, em represália contra o abrigo dado pelo governo afegão a Osama Bin Laden. Diante desse quadro caótico, centenas de milhares de habitantes foram tentar a sorte nos países vizinhos. Mas, como imigrantes ilegais, muitos deles vivem de maneira precária.

A belíssima historia de amor contada por “Baran” dá uma pequena ideia da situação dolorosa experimentada por uma geração de afegãos que nasceu no exilio. Seu drama é duplo: vivem clandestinamente em países que os tratam apenas como mão de obra semiescrava, e não conhecem sua pátria. São desterrados e a única perspectiva é a de um dia reconstruir sua história no Afeganistão, caso seja possível retornar.

No filme, o diretor e roteirista iraniano Majid Mijidi (o mesmo de “Os Filhos do Paraíso” e “A Cor do Paraíso”) concentra-se nos afegãos que trabalham na construção civil em Teerã, capital do Irã e maior cidade do país, com 7 milhões de habitantes. Um deles sofre um acidente e, desesperado porque ficará sem o salário, pede que o capataz aceite Rahmat, um de seus cinco filhos, para substitui-lo. O garoto, franzino, não dá conta das tarefas pesadas, mas assume a responsabilidade pela alimentação dos trabalhadores. Fica no lugar de Lateef, um jovem iraniano que, com a mudança, volta ao batente na construção.

No inicio, a troca de funções deixa Lateef indignado. Sua revolta canaliza-se para Rahmat, a quem começa a tratar com hostilidade. Uma pequena surpresa, no entanto, transformará completamente a história, fazendo com que jovem iraniano descubra sentimentos inesperados e conheça mais de perto a dor dos afegãos no exílio.

www.sergiorizzo.com.br

Imagem de divulgação

Texto publicado na edição nº 09 da Revista Viração, em 2004

 

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