Elisangela Cordeiro e Jonathan Saints, da Redação | Imagem: Acervo/AJN
Um grupo de especialistas, pais e profissionais das diversas áreas que atuam junto a pessoas com Transtorno Espectro Autista (TEA) participaram da II Jornada Pedagógica sobre Autismo, promovida pelo Centro Universitário Paulistano, para discutir a inclusão de crianças, adolescentes e adultos.
Durante o encontro, a Vira aproveitou para conversar com a Professora Railda Lopes da Rocha, pedagoga, mestre em Educação e especialista em Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, educação especial do deficiente visual e em docência do ensino superior. Railda atua como professora de Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão- SAAI, na Prefeitura de São Paulo e compõe o corpo docente do Centro Universitário Paulistano.
É muito comum encontrar pesquisas e outros materiais que tratam sobre o autismo na infância. Mas quando se trata da adolescência não é um assunto muito difundido. Existem poucas pesquisas na área. E afinal, como lidar com um autista em uma fase da vida marcada por tantas mudanças físicas, emocionais e sociais? Foi por ai que caminhou nosso bate papo com a professora Railda. Confira:
AJN: O que é o Autismo?
Railda Rocha: Autismo é um transtorno de desenvolvimento que ocorre nos primeiros três anos de vidas, comprometendo a comunicação e a interação social. Desde 2013 o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), incorporou o novo termo médico e condições sobre o autismo, passando a ser chamada de Transtorno do Espectro do Autismo – TEA, sendo então diagnosticado por grau de comprometimento.
Como trabalhar com o adolescente autista na escola?
Trabalho com atendimento pedagógico especializado em uma Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão – SAAI, na Prefeitura de São Paulo, atendo alunos autistas e com outras deficiências. O que procuro fazer é um trabalho em conjunto com os professores de sala regular e a família, alguns alunos são atendidos também por outros profissionais fora da escola como: psicólogos, terapeutas, entre outros, o que ajuda muito no meu trabalho. Os alunos são atendidos no contraturno.
O resultado do trabalho com o adolescente autista depende muito do seu comprometimento e das intervenções ocorridas antes da adolescência. Tenho visto grandes avanços na comunicação e no convívio social dos meus alunos e de outros que conheço. A rotina e a intervenção precoce, bem como a intervenção multidisciplinar desde os primeiros anos de vida, são essenciais para a transição e a conquista de novos desafios. É importante integrar o aluno na escola, flexibilizar o currículo e adequar o material pedagógico. Incluir é diferente de integrar. Os pais necessitam buscar ajuda médica e psicológica para a fase da alteração hormonal e sexual.
Infelizmente algumas famílias não têm condições de fornecer ao filho (a) o atendimento que necessita, há casos de mulheres que ficam sozinhas, abandonadas pelos companheiros, e precisam trabalhar para prover o sustento da família, e não dispõem de tempo para levar o(a) filho(a) nos atendimentos multidisciplinares, mesmos os gratuitos.
Quais são os comportamentos do adolescente autista?
As pesquisas sobre o autismo na adolescência ainda são insuficientes, mas como qualquer outro adolescente é uma fase complicada, com mudança no corpo, questões biológicas, alguns se tornam mais agressivos, com dificuldade de se encaixar no grupo, de manter contato e fazer amizade, o autocuidado, entre outros. É importante ressaltar que o acompanhamento terapêutico e pedagógico aliado ao tratamento médico são importantíssimos, sem esquecer o apoio da família.
Qual é a importância da representação do autista nos meio comunicação?
A mídia é muito importante na conscientização e informação sobre o autismo. Infelizmente, mostram muito o autismo na infância, nossas crianças crescem e precisam ser vistas como jovens com potencial. Tenho visto nas redes sociais que as pessoas começam a postar os sucessos das pessoas com autismo na adolescência e na vida adulta. Todavia, ainda há um longo caminho na conscientização das pessoas, o preconceito ainda está presente em todas as classes sociais. Acredito que temos um longo caminho a percorrer, mas temos que continuar caminhando.
Qual é a formação que a escola recebe para trabalhar com adolescente autista?
Eu vou falar da escola que trabalho como professora da Sala de Apoio à Inclusão, faço a formação com os professores, tenho horário para atendê-los, para sanar dúvidas e ajudar na flexibilização do currículo. A Secretaria Municipal da Educação, junto às Diretorias de Ensino oferecem diversos cursos optativos de capacitação para professores da rede, mas as iniciativas são insuficientes no que se refere ao autismo e outras deficiências.
A internet é uma ferramenta de pesquisa que nos ajuda muito, para trabalhar com qualquer aluno temos que nos incomodar com a situação dele, quando isso ocorre, buscamos o conhecimento e alternativas. O professor precisa se capacitar sempre, com cursos e muita leitura, as trocas com os colegas também são valiosas.

Respostas de 5
Orgulho dessa minha irmã! Parabéns, Railda Lopes Lopes, pelo belíssimo trabalho!
Super Railda Lopes Lopes que orgulho!!!!
Parabéns minha amiga pela entrevista e esclarecimentos sobre o TEA. Excelente matéria!
Parabéns Railda você é uma exelente profissional bjs
Ótima entrevista, parabéns pelo seu trabalho é muito bom ter parceiras como você nesse trabalho tão pouco divulgado.