Guilherme Turri
Entendo muito pouco ou quase nada da questão do remanejamento (sim, uso remanejamento, pois até onde sei não há redução de vagas) das escolas públicas promovida pela Secretaria Estadual de Educação. Desta forma, não me sinto confortável em me posicionar conclusivamente contra ou a favor. Acredito que possa haver embasamento técnico ou ainda uma experimentação de outro modelo.
Mas é evidente que, como de costume, não há consideração nem diálogo com a sociedade e especialmente com os diretamente afetados. O jovem no Brasil é um não-cidadão – controlado por valores morais da família e da sociedade e por canetadas do estado sem direito a participar, contribuir e engrandecer as discussões.
Os alunos da escola Fernão Dias resolveram mostrar que tem direito a conhecer os detalhes do plano, seus objetivos e impactos, e participar da discussão. Para isso, ocuparam pacificamente a escola que estudam – decidiram passar a noite lá.
O que seria o mais natural em qualquer democracia? Que o secretário de educação, o sr. Herman Jacobus Cornelis Voorwald, fosse lá conversar com a galera, fazer uma grande plenária, abrir seu plano à críticas e a partir daí, fazer correções de rota ou convencer os interessados de que os “prejuízos” serão menores que os “benefícios” – e criar as devidas garantias de acompanhamento e reavaliação.
Mas não. Na democracia brasileira, quem vai “conversar” com jovens que querem participar da sociedade é a polícia. Cortam água, luz e proíbem a entrada de alimentos – o que, além de ser uma estratégia burra do ponto de vista de custos e resultados, a mim parece configurar violação do ECA. Como você deixa menores de idade sem água, luz e comida???
A incapacidade dos governantes em lidar com situações como esta (criadas por eles mesmos) é gritante. O pensamento autoritário reina. A burrice estratégica custa caro, pro orçamento e pra democracia.
Os comentaristas de portais, desprovidos de empatia e reflexão, já evocam o chavões estúpidos para saciar seu desejo de controle, falsa ordem, homogeneização do mundo e aniquilamento do outro, do diferente.
Mas lá, no paraíso da boçalidade, surge uma aluna do Fernão Dias, serena e certeira, ignorando os ataques, explicando respeitosamente e pedindo ajuda.
Molecada, vocês são foda!
