Por Juliana Winkel, colaboradora da Agência Jovem de Noticias, direto de Roma
No domingo, dia 21, algo inusitado aconteceu em centenas de cidades ao redor do planeta. Pela primeira vez em escala mundial, milhares de pessoas se reuniram em uma marcha por medidas efetivas para combater as mudanças climáticas. A Marcha dos Povos pelo Clima, organizada por instituições como Avaaz e 350.org, foi planejada para anteceder a Cúpula do Clima organizada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que contou com mais de 120 chefes de estado, em busca de reforçar o caminho para um novo tratado climático a ser assinado em 2015.
Se, da parte dos governantes, faltava uma demonstração enérgica à altura do que o planeta necessita, o posicionamento da população foi claro: somente em Nova Iorque, a Marcha reuniu 400 mil pessoas, que ocuparam 80 quarteirões dos principais bairros da cidade, exigindo ações para frear o aquecimento global. Além da caminhada, manifestações culturais, bicicletadas, shows de música e atividades para crianças marcaram o dia – que contou com a presença do próprio Secretário-geral da ONU, para quem foi entregue uma petição assinada por mais de 2 milhões de pessoas por ações efetivas em prol do planeta.
A mesma mobilização se registrou em outras cidades do mundo. Ao todo, foram aproximadamente 700 mil pessoas marchando pela causa (veja aqui algumas fotos e notícias). Um movimento que não passou despercebido dos líderes que se reuniram no dia 23 de setembro. “O alarme continua soando, os cidadãos continuam marchando. Não podemos fingir que não estamos ouvindo”, declarou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua fala durante a Cúpula. Ele, assim como outros chefes de estado, trouxe ao debate o que já foi feito em seu país e prometeu intensificar medidas de adaptação às mudanças climáticas e investimento em energias limpas.
Alguns países como Inglaterra, China e Malásia se comprometeram com metas ambiciosas para reduzir emissões entre 2030 e 2050 (veja aqui as principais promessas dos governos participantes). Para garantir um acordo vinculante e com força legislativa em 2015, no entanto, ainda há um longo caminho pela frente e muitos interesses a serem vencidos, expressos em uma taxa crescente de emissões que precisa ser freada o quanto antes. O encontro promovido por Ban Ki-moon pretende ser o primeiro passo para que a mudança seja efetivamente feita, e espera-se que a participação popular seja um forte sinalizador da vontade social nessa direção.
“Coliseu verde” na marcha do Clima
A equipe da Agência Jovem esteve presente na Marcha dos Povos organizada em Roma, que reuniu aproximadamente mil pessoas entre caminhadas, bicicletada e stands informativos junto ao principal ponto turístico da cidade, o Coliseu. O evento contou com a presença de representantes de instituições ambientais nacionais e internacionais – como Greenpeace Itália, Italian Climate Network, Avaaz, Legambiente e KyotoClub, além da Secretária de Meio Ambiente da cidade de Roma, Stella Marino. Todos deram sua contribuição, com dados e informações, sobre o grande desafio que o planeta enfrenta nos dias de hoje. “Sabemos que a Terra pode se regular tranquilamente sem nossa presença”, afirmou Veronica Caciagli, presidente da Italian Climate Network. “O que está em jogo é nossa própria permanência na Terra, em um mundo que não seja completamente hostil”. Giuseppe Onufrio, diretor executivo do Greenpeace Italia, lembrou a importância dos acordos globais para combater uma situação de emergência, citando os resultados positivos observados com o Protocolo de Montreal na redução de gases nocivos à camada de ozônio. “Agora precisamos de uma ação ainda mais incisiva sobre a questão da mudança climática. Não se pode obter resultados positivos fazendo o que sempre foi feito. Precisamos mudar de rota”, afirmou.
Os representantes também exigiram publicamente do governo italiano medidas para colaborar com a redução do aquecimento, como a busca de compromissos vinculantes até 2030, o investimento em fontes renováveis de energia e a contribuição para o Fundo Verde do Clima, além do fomento de empregos ligados ao potencial natural positivo do país, inclusive na produção de energias limpas. “Muitos nos chamam de idealistas ou de pessoas que incomodam, que trazem problemas. Mas prefiro acreditar que, como os loucos de antigamente, somos aqueles que veem adiante, que enxergam o que outros não enxergam. Devemos continuar mostrando o que vemos. E não iremos calar nossa voz”, afirmou Annelisa Corrado, representante do movimento GreenItalia.
