Olá lindeza climática <3
Esses dias, estava conversando com um amigo e ele citou o livro “Pequeno manual antirracista” da filósofa Djamila Ribeiro.
Essa autora me inspira! Neste momento ela está nos Estados Unidos, convidada para dar aula no programa Martin Luther King Jr. do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (simmmm, o famoso MIT). Eu, que agora estou em Londres cursando o mestrado internacional na London School of Economics and Political Science (LSE), olho para mulheres negras mais experientes e vou sonhando com caminhos de futuro possíveis. Desejo criar um lugar onde eu possa compartilhar conhecimento e também estar em constante aprendizado, evolução e inovação.
Mas bom, bora falar do livro?

Falando em letramento, parece que esse é o livreto ao qual muitas pessoas brancas recorrem quando decidem começar a entender o racismo. A obra é um ótimo ponto de partida, mas não devemos, em hipótese alguma, parar nela.
Eu brinco que, muitas vezes, pessoas brancas nos colocam no lugar de “Wikipreta”, como se nós precisássemos ensinar e dar todas as respostas sobre a questão do racismo no Brasil. Mas chega dessa palhaçada, viu?
Existem tantas autoras negras que produziram literaturas incríveis, como Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez, Bianca Santana, Carolina Maria de Jesus, Bell Hooks, Angela Davis etc. Basta deixar a preguiça de lado, ativar a curiosidade e decidir mergulhar no universo antirracista, seja através de livros, visitas a museus ou até mesmo restaurantes de culinária africana.
“Falar sobre racismo no Brasil é, sobretudo, fazer um debate estrutural. É fundamental trazer a perspectiva histórica e começar pela relação entre escravidão e racismo, mapeando suas consequências.” (Djamila Ribeiro)
Querida leitora branca, posso dar um conselho de amiga?

Nunca entre numa discussão sobre racismo dizendo “mas eu não sou racista”. O que está em jogo não é um posicionamento moral, individual, mas um problema estrutural. Ao invés de se achar uma pessoa boazinha demais para cometer racismo e ficar na coitadolândia, pergunte-se
- O que estou fazendo para combater o racismo?
Se ainda não tem respostas para essa pergunta, lembre-se: a inação contribui para perpetuar a opressão.
Ainda que você tenha atributos morais positivos (como ser gentil com pessoas negras) você não só se beneficia da estrutura racista como, muitas vezes, mesmo até sem perceber, compactua com a violência racial.
Mas Amanda, comooooo???
Quando você se beneficia de oportunidades desiguais, se cala diante de atitudes racistas, naturaliza estereótipos ou considera “neutra” a sua perspectiva enquanto pessoa branca, cara leitora. Para ser realmente antirracista, não basta apenas ler um livreto da Djamila Ribeiro. O antirracismo exige consciência, autocrítica e ação intencional para romper com estruturas profundamente desiguais.
Não quero que você se sinta culpada por ser branca, essa história não é uma acusação contra você. Mas quero sim que você assuma seu papel na luta e se responsabilize. Diferente da culpa, que leva à inércia, a responsabilidade leva à ação.
Na obra Brancos e negros em São Paulo, Roger Bastide e Florestan Fernandes apontaram: “Nós, brasileiros”, dizia-nos um branco, “temos o preconceito de não ter preconceito. E esse simples fato basta para mostrar a que ponto está arraigado no nosso meio social.” A real é que muitas respostas negativas ao racismo explicam-se por esse preconceito de ausência de preconceito dos brasileiros em reconhecer seu próprio preconceito. E se, enquanto sociedade não sabemos que estamos doentes, como vamos encontrar a cura?

“É impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre.” (Djamila Ribeiro)
Bom, espero que este artigo seja um convite para você aprofundar seu letramento racial e se tornar, verdadeiramente, um aliado na luta antirracista. Para finalizar, quero deixar contigo algumas dicas que aprendi no livreto da Djamila:
- Reconheça seus privilégios: teve pai? Água e internet a vontade em casa? Estudou numa boa escola?
- Reflita sobre seus relacionamentos: qual é a cor dos seus amigos? Dos seus colegas de trabalho? E do seu companheiro amoroso?
- Estude como o racismo se estrutura e questione a branquitude: leia livros de autoras negras, vá em restaurantes afrocentrados, consuma moda afro e faça o teste do pescoço (quantas pessoas negras estão no mesmo ambiente que eu? E qual posição elas estão ocupando?)
Não deixe esse conhecimento ficar só contigo, cara leitora! Se o texto te fez refletir, compartilha com uma amiga, leva a conversa para a mesa de jantar e para o grupo de trabalho. É assim, de conversa em conversa que a gente fortalece uma rede verdadeiramente antirracista <3