Reimaginando futuros, reflorestando sonhos, retomando direitos

A importância de encontros e reuniões preparatórias para alinhar estratégias e fortalecer a mobilização jovem em prol de um futuro sustentável e justo.

Por Gessica Brenda e Ana Teresa

Nos dias 6 e 7 de maio deste ano, 12 representantes da Rede Nacional de Lideranças Adolescentes Reimaginando Futuros – UNICEF e 2 representantes do Conselho Jovem-Brasil estiveram presentes em Brasília, participando de uma reunião preparatória para o 2° Encontro Nacional do Reimaginando Futuros e Conselho Jovem, que acontecerá no segundo semestre de 2024 e tem como tema: Juventudes na luta por justiça climática.

Na reunião preparatória, os 14 adolescentes alinharam os planos para a Rede e o Conselho, debatendo melhorias para avançar com o trabalho já realizado desde 2023. Além disso, compareceram ao Escritório Nacional do UNICEF e se encontraram com o representante do UNICEF no Brasil, Youssouf Abdel-Jelil.

Joana Truká, indígena do povo Truká, da Ilha de Assunção-cabrobó em Pernambuco, é  conselheira jovem do UNICEF Brasil e da Rede Reimaginando Futuros — comenta sobre a  importância da juventude nesses espaços:

“Se a gente não começar a lutar agora, no futuro nem vai ter pelo que lutar; nem vai ter futuro. É por isso que a gente precisa começar um movimento de base agora, com mobilização urgente, senão a gente não vai ter onde viver. Então, precisamos de políticas públicas e da participação efetiva dos jovens dentro dessa construção, porque o futuro é agora. Se a gente não começa a trabalhar no presente pelo futuro, o futuro não vai existir.”

Joana Truká

A Reimaginando Futuros  surgiu após um encontro que também aconteceu em Brasília em abril de 2023, e que reuniu vários jovens de todas as localidades do Brasil, com o objetivo unicamente de pensar estratégias sobre pautas emergentes que afetam diretamente a juventude. Nesse evento, foi vista a necessidade da criação de uma rede que mobilize diversas pessoas para promover políticas públicas no âmbito territorial, regional e nacional, e assim a Rede está desde 2023 atuante.

Dentro da Rede, existem seis frentes de trabalho, em que cada uma discute e pensa sobre temas específicos:

  1. Direitos e Inserção Feminina:

Abordam questões como a equidade de gênero, justiça social, luta feminista. Dentro da frente, realizam as formações de incidências políticas e mobilização, formações voltadas a temáticas sobre os feminismos: mulheres negras e trans.

  1. Direitos LGBTQIAPN+:

Discutem a falta de políticas públicas específicas para crianças e adolescentes LGBTQIAP+, as violências sofridas em casa e em outros espaços, como no ambiente escolar e na internet. Os abusos psicológicos e sexuais sofridos também nesses espaços, que deveriam ser de acolhimento. Tem o objetivo de formação sobre a imersão na história do movimento no Brasil, desde a sua concepção, como significados de siglas a sua importância enquanto movimento de luta e resistência, além de outras formações e mobilizações.

  1. Participação Jovem: 

Visa criar oportunidades para que a juventude tenha acesso a políticas públicas que são negadas a eles, trazer conhecimentos sobre seus direitos e promover a defesa e mobilização daqueles vulneráveis. 

  1.  Povos e Comunidades Tradicionais:

Visam a luta e a representatividade, além de realçar a necessidade de políticas públicas mais eficazes para as comunidades tradicionais. A frente tem como objetivo, principalmente, defender e reafirmar a territorialidade que, por muitas vezes são degradadas, e os povos e comunidades tradicionais sofrem diretamente com essas problemáticas que decorrem deles. Incentivar e mobilizar as juventudes a se politizar, compreender a sua ancestralidade. 

  1. Antirracista:

Busca promover a igualdade racial, combater o racismo estrutural e criar espaços em que as vozes e experiências das comunidades radicalizadas sejam valorizadas. Tem como objetivo fomentar a leitura de autores negros, divulgar atividades culturais, como saraus, promover danças e brincadeiras afro.

  1. Mudanças Climáticas: 

Articula formação sobre letramento ambiental, a conscientização e enfrentamento de problemáticas que as pessoas sofrem diretamente, como racismo ambiental, diálogo sobre gênero e clima e como estão relacionados, soberania alimentar. Além de ter como um dos objetivos a criação de podcast para alcançar um maior público sobre as pautas emergentes.

Atualmente, a Rede conta com mais de 70 membros, que se reúnem para debater, compartilhar experiências e trabalhar juntos na construção de um futuro com plena garantia de direitos.

Após o encontro, estabelecemos diversas estratégias enquanto Rede Reimaginando Futuros e Conselho Jovem, umas delas são as formações em coletivo com temas emergentes, se reunir regionalmente e de forma híbrida para entender a necessidade de cada território, pautar questões que lhes afetam e levar estratégia e resultados para o encontro nacional. Encontro esse, que possibilita trazermos as nossas vivências e pontuar demandas, visto que o Encontro Nacional será organizado e será chamados para um diálogo público com os três poderes, para que possamos ser escutados e assim, pensar novas medidas e promover efetivamente políticas públicas. 

Sabemos que diariamente somos silenciados e sofremos diversos tipos de violência por nossa existência, seja ela verbal ou física, e pela falta de políticas públicas que não chegam até nós. A criação desse espaço de discussões é essencial para que possamos dialogar e promover de fato direitos que nos são negados. Termos articulações como o Unicef é fundamental, já que assim conseguimos ter um grande alcance de ideias e de mobilização com adolescentes e jovens. Foi muito debatido a necessidade de se organizar politicamente, e cada vez mais estarmos em lugares de decisões. Essa Rede não só está reimaginando, como também está construindo um futuro em que a juventude seja escutada e que nossas lutas sejam para além do individual e subjetivo, mas que seja uma luta coletiva e organizada.

Sobre a Rede Reimaginando Futuros

A Rede Reimaginando Futuros é uma iniciativa criada por mais de 40 adolescentes e jovens em colaboração com o UNICEF, com o objetivo de fortalecer lideranças adolescentes em todo o Brasil, além de fomentar a participação e diálogo com pessoas diversas, como quilombolas, indígenas, pessoas LGBTQIAP+, comunidade negra, entre outros, e engajar mais pessoas na luta por direitos e por um país melhor.


Por Gessica Brenda e Ana Teresa da Rede Reimaginando

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