|Por: Pedro Neves, de São Paulo (SP)
“Boladão peitei o mundo/ deixei o sistema maluco/ tentaram me alienar/ mas eu criei o meu mundo”, canta Mc Poneis, um dos embaixadores da Liga do Funk. A letra pode ser identificada facilmente como gênero de funk brasileiro, mas também remete a outro fenômeno do século 21, as redes sociais.
Apesar de parecer que uma coisa não tem nada a ver com a outra, o crescimento do funk se deve muito ao avanço da internet. Redes como Youtube, Facebook e Twitter alavancaram muitos artistas e abriram um espaço midiático livre para os MCs se expressarem de maneira autônoma, contando sua história e transmitindo sua mensagem sem mediação. O movimento funk vem ao longo dos anos emergindo de maneira avassaladora. As crianças que sonhavam em ser jogadoras de futebol, agora sonham em virar funkeiras. Caminhando pela rua, não é difícil encontrar uma roda de “parças” fazendo um beat e rimando por cima, a juventude periférica abraça o funk como uma oportunidade de contar sua história e difundir sua mensagem.
Há quatro anos, o produtor Marcelo Galático, conhecido no meio artístico, realizou seu sonho de criar a Liga do Funk, um projeto social que visa formar MCs e ajudá-los na carreira profissional: “os jovens sabem muito bem que a Liga não é uma produtora, somos um projeto que visa ajudar essa galera na carreira por meio da construção de valores, como a valorização de suas histórias de vida, a criação de um repertório político e social para debates e diálogos, além de aulas para aperfeiçoarem suas técnicas”, explica Laila Almeida, produtora cultural da Liga do Funk.
O papel da organização é fomentar essa juventude que sonha em viver do funk, profissionalizando seu trabalho. Eles oferecem aulas de dança, presença de palco, canto, entre outras atividades. Também dão a oportunidade de fecharem um contrato com uma grande produtora, no concurso Voz da Liga, além de incentivar a garotada com a parceria na radio Transcontinental, que abre espaço de sua programação para que os MCs contem suas histórias e cantem suas músicas.
“Existem várias ONGs e produtoras que trabalham com funk, só que a maioria não dá a oportunidade que esperamos. A Liga do Funk é essa oportunidade de realizar nosso sonho”, conta Kleber Roberto Carvalho Souza, 23 anos, mais conhecido como MC Gigante. A criação de redes entre os profissionais é o grande diferencial da Liga: “passamos para os jovens que a construção de uma rede de parceiros e contatos faz a diferença em suas carreiras”, conta Laila.
“A liga do funk é um movimento essencial para o país, pelos temas que debate, pela maneira que socializa as pessoas e pela família que é. O mais bacana é poder encontrar pessoas que são de quebradas diferentes, mas com gostos e vontades parecidos, um excelente lugar para criar redes”, explica Diego Pereira da Silva ou MC Diih Pura Calma, 25 anos.

Uma maneira de criar esse contato entre os diferentes jovens é por meio de um evento chamado Cadeira Elétrica, em que toda semana convidam profissionais do funk para debater temas tabus e delicados no meio social e musical. O formato é simples: os convidados ficam no palco falando do seu trabalho e respondendo questionamentos dos jovens presentes.
Em março do ano passado, os convidados eram Emicida, Evandro Fiote, DJ Perera e Viegas. Um tema recorrente durante o debate era a questão do estudo musical e a velocidade da informação no século 21: “A primeira prisão do pobre é a falta de informação e a libertação desse cárcere vem por meio do fluxo de conhecimento. Antigamente, o tráfico de drogas era a saída, mas hoje temos o fenômeno do ‘tráfico’ de informação”, apontou Emicida.
E essa informação com velocidade e alcance é uma moeda de dois lados. Por isso, a Liga se preocupa com a construção de valores, como o respeito. “Todos temos direitos iguais e a sociedade, em vez de exaltar isso, nos mostra o que você deve ou não deve fazer. É sobre isto que conversamos na Liga: nossos direitos, dar respeito para ser respeitado, passar que não somos melhores ou piores que ninguém, apenas diferentes”, explica Mc Poneis. Ele prossegue seu raciocínio falando da essência do movimento: “precisamos passar adiante o que sentimos e vivemos, o mais importante é dividir e difundir conhecimento para todos, crescer pessoalmente e ter a preocupação de sempre expandir sua rede pessoal e profissional”, completa.
* Essa matéria foi publicada originalmente na Revista Viração, edição 110
Respostas de 6
Sou mc e gostaria de participar do projeto e conhecer um pouco mais sobre a liga.
Ei Luiz! Você pode entrar em contato com a galera da Liga do Funk através da página no facebook: https://www.facebook.com/ligadofunkoficial/
Um abraço!
Meu nome e Flavinho meu sonho e canta na roda funk me oportunidade sou do espírito santo canto muito e acredito em Deus que minha música vai se sucesso porque todos que ouvem se arrepiar me de oportunidade desse já agradeço MC Flavinho espero resposta desse já agradeço
em busca dos sonhos
Sou cantor me de oportunidade canto faz muito anos
Olá, sou letrista, não canto nada, mas tenho varias composições que segundo os amigos, são boas, queria ter a oportunidade de mostrar o meu trabalho para algum cantor de funk, inclusive dentre as minhas composições tenho uma lerta pronta do tema do momento que é o caso do mendigo
pegador.
Obs.: Sou filiado a UBC
Obrifado