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Quando o medo de falhar é maior que a sensação da conquista

Que a ansiedade é a doença do século, nós já sabemos, mas e quando o medo de ser considerado uma “falha” é tão grande que inibe qualquer conquista? Até onde a pressão do jovem brasileiro imobiliza seu crescimento? 

Por Bianca Cavalcanti

Dentro do cenário pandêmico em que vivemos não é surpreendente que os índices de ansiedade nos jovens tenham crescido, segundo estudos do UNICEF. Em meio a um cenário atípico, um sistema educacional retrógrado, redes sociais e a idealização de “sucesso”, a juventude brasileira encara uma grande cobrança em diferentes esferas. Uma narrativa irreal em que a perfeição é o óbvio, sem quaisquer deslizes, modificações ou lapsos. 

Desde o início da educação básica, fomos ensinados que um “bom aluno” é aquele que é bom em todas as áreas, que não demonstra dificuldades, uma falácia em que outros tipos de inteligências não são admitidos. Dessa forma, gradativamente, o ato de cometer erros é visto como vergonhoso, e o mesmo é ensinado a trabalhadores de chão de fábrica desde o início da industrialização.

E os reflexos são imediatos: começa com a vergonha disfarçada de timidez ao não tirar dúvidas em sala de aula, a constante comparação com o outro, o pensamento de inadequação às oportunidades. Assim, o distanciamento do jovem do protagonismo de sua própria vida o impede de enxergar os pequenos passos, porque eles não mais eram avanços, e sim “obrigações”

Crescendo com parâmetros pré-definidos, uma prova, um vestibular, um processo seletivo, o desempenho final é o que define o êxito, desconsiderando as variáveis humanas e a trajetória. É nesse momento em que as falhas são mais memoráveis que as conquistas. Dentre tantas, uma acaba sobrepondo as outras, descartando o esforço necessário na caminhada. 

O sentimento resultante é o de não se achar adequado ou uma fraude, o que também pode ser reconhecido como síndrome do impostor, que se caracteriza principalmente pela autossabotagem. A “procrastinação” por pensar que não irá conseguir de qualquer jeito, o hábito de sempre se achar inferior ao ponto de não admitir seus esforços, a recusa em processos seletivos porque “você sabe que não irá passar” são alguns exemplos que podem estar envolvidos diretamente com a síndrome do impostor. 

Resultante desse cenário, temos a paralisação, o impedimento de crescimento, e a frustração e arrependimento. Um ciclo de emoções que contribuem para a desqualificação da juventude e garante que os espaços continuem a ser ocupados sempre por um mesmo grupo, sem representatividade e pluralidade.  

Em meio a um processo lento e gradativo, entender que ter “fracassos” não o torna um fracassado, tal qual um mantra. Pois, trabalhar em questões como essa vai além de algo pessoal, mas também afeta o coletivo. 

Demorar 3 anos para entrar em uma graduação ou passar no primeiro ano não define a capacidade intelectual de nenhuma pessoa; apenas representa tempos diferentes da vida. O medo de falhar é o que impede a juventude de ser maior, maior do que si mesmos. E comemorar pequenas conquistas faz com que os grandes acontecimentos tenham maior importância, porque não representam apenas o resultado final, mas a trajetória em si. 

Correr apenas por correr não garante que você tenha sucesso, na sua própria concepção de sucesso, assim como ter uma pausa para respirar não significa que desistiu ou falhou. A juventude tem o poder de transformar, não apenas a sociedade mas a si, e essa é a nossa maior força.

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1 Comment

  • Quando cursei a Faculdade, tinha um colega fora da idade “média” da turma, presumo uns 25 anos e eu um pouco mais, 27 anos (no inicio do curso), tínhamos pai falecido e já trabalhávamos! Era a Decada de 90! Mesmo com histórias com pontos em comum, ele perguntou porque tanta matéria de cálculo em Administração se o curso não era Contábeis?! Perguntou ao professor de contabilidade e depois ao de matemática que não responderam! Ai não adianta culpar o Sistema de Ensino: se ele trabalhando com móveis planejados que usa cálculo da área a ser colocado, preço por m2 e claro ajudar a clientela a como decidir melhor para aproveitar o ambiente a ser decorado, não tinha o que responder a pergunta dele! Não existirá raciocínio lógico se não buscarmos compreender a matemática e nem textos bem desenvolvidos sem a interpretação de textos na disciplina de português! Concurso Publico que prestei em 1986 foi com conteúdos de português e matemática! Colegas que prestaram Concurso Público, exigência de Nivel Superior, por volta de 2003, não sabem redigir despachos em processo e ouvi de dois deles: “somos operacionais”!

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