Produtos jornalísticos acessíveis para Pessoas com Deficiência são pauta do 2° dia de Sejor

O segundo dia do evento, realizado nesta terça-feira (4), deu continuidade aos debates sobre Comunicação e Acessibilidade, discutindo caminhos para um jornalismo inclusivo. A programação contou com a roda de conversa “Produtos Jornalísticos Acessíveis para Pessoas com Deficiência” e oficina de legendagem para surdos e ensurdecidos. Durante as discussões, os palestrantes trataram sobre a importância da produção de conteúdos comunicacionais acessíveis. Além disso, técnicas de acessibilidade para a criação e edição desses produtos também foram temas centrais abordados pelos palestrantes. 

Por Fernanda Filiú

Com roda de conversa formada por nomes renomados no cenário regional da Acessibilidade e Inclusão, o segundo dia da XIII Semana de Jornalismo, abordou sobre o processo de produção de produtos jornalísticos, culturais e esportivos acessíveis para Pessoas com Deficiência (PcD). Entre os convidados estavam Vera Lúcia Santiago Araújo, doutora em Letras pela USP e professora na Universidade Estadual do Ceará (UECE); Rebecca Barroso, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada na UECE (PosLA-UECE) com ênfase em Audiodescrição, consultora em Audiodescrição e Acessibilidade e professora de italiano e Lucas Sampaio, autista, professor licenciado em História, membro e coordenador estadual da Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Deficiência (Abraça).

Da esquerda para à direita: Rodrigo Gomes, estudante de Jornalismo da UFC e fundador do Núcleo de Acessibilidade e Comunicação (NACCOM); Rebecca Barroso, Vera Lúcia e Lucas Sampaio

Em sua fala, Vera Lúcia inicialmente compartilhou um pouco da sua experiência em pesquisa sobre Acessibilidade na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Com estudos tanto em audiodescrição quanto em legendagem, a professora apresentou ao público o longo caminho percorrido até o início das ações para introdução de recursos de acessibilidade em equipamentos culturais, artísticos e esportivos de Fortaleza. Como exemplo disso, Vera Lúcia citou a exposição fotográfica “Na Ponta dos Dedos”, produzida durante a formação em fotografia para cegos e pessoas com baixa visão. A mostra, que já foi exposta no Museu de Fotografia Fortaleza (MFF), pretende instigar o espectador a enxergar a imagem por meio tátil, além de contar com as técnicas de audiodescrição e rastreamento de toque.

Rebecca Barroso reforçou a importância da colaboração em rede para ocupar espaços ainda não acessíveis. A consultora em audiodescrição e acessibilidade, que é uma pessoa com limitação sensorial-visual, comentou também sobre as dificuldades que já enfrentou pela falta de recursos acessíveis e inclusivos ao tentar acessar certos produtos midiáticos. Ao falar sobre o tema, Rebecca reforçou a importância da audiodescrição, principalmente em relação a veiculação de imagens.

“Não adianta você comunicar algo que só você pode entender, só você vai acessar. Se a gente pensar em produtos midiáticos, uma das coisas mais contundentes que me vem à mente são as imagens, mas se temos uma pessoa cega, com baixa visão ou limitação sensorial, como ela vai acessar essa comunicação? E aí entra a audiodescrição.”

Disse a mestranda.

Finalizando a roda de conversa, Lucas Sampaio completou a fala de Rebecca reafirmando a relevância do processo colaborativo na luta pela Acessibilidade e Inclusão. O professor ainda ressaltou que a acessibilidade é lei, e não deve ser alocada pela sociedade como um ato de bondade: “O Brasil tem legislações avançadas em muitas questões, como a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que é uma emenda constitucional, mas essas legislações não ‘dessem’ para o setor da cultura mainstream e da comunicação”, afirmou.

legenda: A oficina de legendagem foi realizada no Laboratório A do Curso de Jornalismo da UFC, no Centro de Humanidades II

Oficina de Legendagem 

A oficina de legendagem para surdos e ensurdecidos encerrou a programação do segundo dia de Sejor. Realizada por Euri Júnior Sales, mestre em Estudos de Tradução e servidor técnico da Secretaria de Acessibilidade UFC Inclui, a oficina abordou os principais parâmetros técnicos da legendagem. Além disso, o oficineiro apresentou ao público softwares de legendagem gratuitos, onde os estudantes puderam testar as técnicas aprendidas por meio de um exercício prático.

A Semana de Jornalismo é um evento gratuito e aberto ao público e você pode conferir a programação nas redes sociais do Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Comunicação Social (PETCom) da UFC, responsável pela organização do evento.

Ver +

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *