Primeiro dia na COP 27: Sob a perspectiva de uma iniciante

É uma avalanche. Esta foi a melhor palavra que encontrei para traduzir como foi esse primeiro contato imersivo no espaço. Um espaço como a COP exige tempo dedicado a diálogos e trocas; Somos todos muito diferentes, com realidades e propostas diversas, mas convergimos em um único propósito: o combate às mudanças climáticas.

Por Teresa Xavier

Olá pessoal! Meu nome é Teresa Xavier, acabo de sair de uma avalanche chamada COP 27 e venho aqui, com muito entusiasmo, compartilhar com vocês as minhas primeiras impressões sobre esse evento!

Descrevi a COP como uma avalanche, pois esta foi a melhor palavra que encontrei para traduzir como foi esse primeiro contato imersivo no espaço. Sai de casa (interior de São Paulo) no dia 9 e cheguei aqui em Sharm El Sheikh dia 11, sexta-feira, de madrugada, e no mesmo dia fui fazer meu credenciamento, mas antes mesmo de entrar no espaço físico da conferência, já senti os sinais do evento no caminho para lá. 

Além de conhecer várias pessoas de delegações diferentes nos aviões até aqui, a trajetória até a COP é marcada por seus sons e figuras. Sotaques, línguas e músicas que jamais tinha ouvido antes compõem uma melodia única no lugar, além da moda singular com trajes e adornos ímpares. 

Ao chegar na conferência encontro a primeira intervenção e protesto na frente do local incentivando a alimentação vegana, que está atrelada a diversos benefícios ao meio ambiente por retirar da dieta produtos de origem animal que são responsáveis por uma expressiva emissão de gases do efeito estufa. Intervenções como esta, sendo sobre esse tema ou não, foram um debate importante que marcou o período pré-COP, pois são parte importante da conferência, mas que aqui no Egito seria diferente por ser um país autoritário que não permite manifestações desse tipo no seu cotidiano. Outras intervenções silenciosas aconteceram durante o dia, mas sei que a escala e número desses protestos estão bem menores quando comparados às edições anteriores da COP.

Apesar desse ponto de divergência, testemunhei outro componente marcante da Conferência que continua o mesmo (senão cada vez maior), o seu tamanho! São muitos espaços e pavilhões que compõem o lugar que, apesar de ter vários mapas espalhados, costuma deixar seus participantes perdidos com frequência. Com tantas atividades é difícil escolher o que acompanhar, por isso foi muito importante identificar previamente eventos do meu interesse para ficar atenta ao que eu gostaria de acompanhar, mas também deixando o cronograma flexível para um elemento importante desse evento: NETWORKING! 

Um espaço como a COP exige tempo dedicado a diálogos e trocas, até mesmo das pessoas mais tímidas e introvertidas como eu aqui. Para os mais expansivos e extrovertidos a COP é o local perfeito para recarregar as energias através das conversas acumuladas ao longo dos dias, são pessoas envolvidas em projetos, iniciativas e organizações que tem muita experiência para compartilhar e várias histórias inspiradoras que nos dão força para seguir trabalhando no que acreditamos. Para os que têm maior dificuldade, fica aqui um enorme convite para se desafiarem e irem pouco a pouco expandindo sua rede de contatos (e de amigos também, por que não?), o importante é não perder a oportunidade.

Vale ressaltar nesse último ponto que para termos soluções efetivas para uma crise tão complexa como a climática precisamos agir em conjunto, não necessariamente em projetos iguais, mas compartilhando essas vivências, replicando projetos, adaptando a partir de experiências de outras pessoas, incentivando os pares, enfim, crescemos na cooperação.

E acredito que é esse exato sentimento de união que levarei para o restante da COP. Somos todos muito diferentes, com realidades e propostas diversas, mas convergimos em um único propósito: o combate às mudanças climáticas. Obrigada por ler até aqui 🥰

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