Porta Vozes da Resistência – Narrativas de Três Favelados 

Reflexões sobre o livro de Mônica Francisco, Davison Coutinho e Walmyr Junior.

Por Amanda Costa

Agora são 6:03 da manhã.

Acordei pensando na periferia, nas desigualdades, no sofrimento do povo preto e decidi escrever para tirar esses sentimentos do meu peito…

“Gosto de escrever, na maioria das vezes dói, mas depois do texto escrito é possível apaziguar um pouco a dor. Eu digo um pouco… Escrever pode ser uma espécie de vingança, às vezes fico pensando sobre isso. Não sei se vingança, talvez desafio, um modo de ferir o silêncio imposto, ou, ainda, executar um gesto de teimosa esperança. Gosto de dizer ainda que a escrita é para mim o movimento de dança-canto que o meu corpo não executa, é a senha pela qual eu acesso o mundo.”

Conceição Evaristo

Acredito que acordei desse jeito porque finalizei a leitura do livro “Porta Vozes da Resistência – Narrativa de três favelados”. Esse livro é uma coletânea de artigos publicados na coluna Comunidade em Pauta do Jornal do Brasil, retratando as dores, injustiças e abusos que são parte da realidade dos moradores das favelas do Rio de Janeiro.

Para muitas pessoas, favela é um lugar estereotipado. É só falar na comunidade que muitos já pensam em:

-Tráfico, tiroteio, balas perdidas, genocídio da juventude negra, intervenção policial, lixão a céu aberto, transporte ineficiente, desemprego, calamidade ou seja… Guerra aos pobres!

Será mesmo que a favela é o problema?  

De acordo com o professor Davison Coutinho, esses espaços foram a solução para a carência habitacional da população de baixa renda! A favela só é em parte um problema por conta do descaso de décadas de governos que não investiram em políticas públicas para os territórios vulnerabilizados, gerando desafios em diversas áreas, como na educação, saúde, transporte, cultura e lazer.

“A favela não é um problema de polícia. A favela é um problema de política. Precisamos intervir e acompanhar o debate de direitos.”

(Marielle Franco, vereadora da cidade do Rio de Janeiro, assassinada em 14 de março de 2018)

Nossa galera resistiu a um processo profundo de exclusão e demonstrou resiliência frente à escassez de políticas e serviços públicos, desafiando o status quo e rompendo com a ordem de silenciamento decretada.

“O gigante acordou, mas a favela nunca dormiu”, escreveu a deputada estadual Mônica Francisco num de seus artigos no livro. De acordo com a parlamentar, a favela criou fóruns, redes, câmaras, grupos e coletivos de confiança para construir planos-diretores, econômicos-sociais, de habitação, de integração da juventude, ação cultural e cooperativista com o intuito de gerar desenvolvimento para o território, tão esquecido pelo aparato do Estado.

Mas a real-oficial é que nossos governantes ainda insistem em investir num Brasil midiático, com uma narrativa bem elaborada para atrair gryngo ryco. 

CHEGA DISSO! Está na hora de encarar as injustiças sociais, econômicas e ambientais que atravessam a nossa nação e roubam o nosso direito do bem-viver.

Walmyr Júnior soltou o verbo: “é necessário contestar a elite hegemônica que historicamente instrumentalizou as políticas públicas no Brasil, para unicamente garantir as manutenções dos seus interesses privados”.

Mas como fazer isso?

Não sei tooooodas as respostas, mas quero compartilhar algumas possibilidades de caminho. Um bom começo é votar em candidatos pretos e periféricos, participar dos processos decisórios e promover uma política participativa dentro da comunidade.

Eu tenho um sonho coletivo para o nosso Brasil e estou disposta a lutar para construir um país mais inclusivo, colaborativo e sustentável. Querido leitor, topa se jogar nessa missão comigo? 🙂

“Nos resta a luta. A revolução será preta e favelada.”

Walmyr Júnior

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