O que você deixou para trás para ir em busca de um propósito?
Depois de um bom tempo sem escrever por aqui, retorno para conversar com você sobre as dores e delícias que é a vida de quem saiu do seu local de origem para alcançar novos voos. Todas as pessoas em algum momento, perguntaram sobre o propósito. Em outras formas, há quem chame de missão, sonho, objetivo, meta e dentre outros codinomes.
O propósito tem o significado individual e escolhemos o nosso. Carregado de caminhos desconhecidos, frios na barriga, visualizações imaginárias, conquistas e desafetos, o motivo que nos questiona inicialmente pode nos dar um norte para o futuro. Assim como eu, há dois anos, me despedi fisicamente da Bahia, do meu templo sagrado e outros jovens ativistas partiram dos seus locais de origem também.

O que você queria ser quando crescer?
Nos fizeram essa pergunta na infância, o que você queria ser? Eu quis por um tempo ser cantora, ganhei instrumentos musicais que se tornaram memoráveis, nunca esqueci do violão rosa brilhante e do teclado azul que aprendi a tirar as primeiras notas musicais. Quis ser médica, não sabia se seria psiquiatra ou ginecologista, com isso o objetivo era estar na saúde mental e cuidar de mulheres.
Na rota, descobri uma política nata, uma política social com o misto de ativismo, psicologia, diplomacia e administração. Fundei uma ONG que abraça tudo isso e muito mais! Um psicanalista famoso chamado Sigmund Freud dizia:
O sonho representa a realização de um desejo.
O “sonhar” tem inúmeros significados. Existe o sonho que corresponde deitar-se, fechar os olhos e entrar no mundo inconsciente. Há o sonho atrelado ao desejo de uma conquista ou realização. O ato de sonhar é profundo, nos coloca no lugar de humanos que têm asas atreladas à imaginação.
E você? O que você queria ser quando crescer?
Os encontros
As ligações que a vida nos permite ter são chamadas de encontros. É possível que os encontros sejam caminhos trilhados para chegar ao propósito, olhar para eles é importante! As ligações antigas não deixaram de existir, nós ressignificamos!
Eu as enxergo como passado que transpõe o presente e que permite aprendizado para o futuro. Os encontros, podem ser com você, com amigos, familiares, com lugares visitados e até reencontros. Como jovens, passamos por fases diversas, nos encontramos em versões diferentes de si, desde que o mundo é mundo!
Os encontros podem nos apresentar a liberdade, essa que não permite aprisionamentos.
E você…. Quais as suas ligações marcantes? Como você olha para elas? É com amor? É com dor? É um pouco de tudo?
Os desencontros
Os desenlaces muitas vezes inevitáveis são chamados de desencontros e despedidas.
Como se deram as despedidas que você teve na vida?
A juventude, abraçada pela causa social é revestida de desencontros, seja do tempo, pessoas ou circunstâncias. Gosto da música Encontros e Despedidas do cantor Milton Nascimento que diz:
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais…
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir…
Em transições nos encontramos e nos desencontramos. Nos despedimos de um passado que muitas vezes não cabe mais nas roupas que usávamos, nos novos conhecimentos que aprendemos e nas novas performances do nosso corpo e intelecto.

A saudade
As partidas necessárias para o propósito, nos causam estranhamentos e a famosa saudade! A saudade que, para o cantor Belchior, diz que é um ‘charme brasileiro’. Eu tenho saudade dos bons momentos que tive no meu templo sagrado e acredito que você também tenha suas inúmeras saudades.
Qual é a sua saudade hoje?