Canais de Denúncia, Política de Cuidados e Aprendizagem: Saiba o que foi discutido na primeira reunião do ano do MUDE com Elas

Por Teresa Cristina
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MUDE com Elas define as agendas para 2025, com foco em ampliar a participação social e política de jovens negras

A política de aprendizagem, o Plano Nacional de Cuidados e os canais de denúncia de infrações no ambiente de trabalho serão as agendas prioritárias do MUDE com Elas em 2025. Os focos serão no fortalecimento da participação social e política de jovens negras, na ampliação do diálogo com a sociedade, o setor privado e o poder público, além da atuação em advocacy para impulsionar essas pautas.

Os temas de trabalho foram um dos assuntos discutidos na primeira reunião da rede multiatores em 2025, realizada na última quarta-feira, 19 de março, na sede da Ação Educativa, em São Paulo Capital. A rede também revisitou a chamada “Teoria da Mudança”, abordagem que guia o planejamento, a avaliação e o acompanhamento de impacto do projeto.

“É importante estarmos juntos, na mesma página, sempre conscientes do processo de mudança que estamos propondo”, resumiu Angela Schwengber, coordenadora de projetos de cooperação internacional da Terre des Hommes Alemanha. 

O encontro também foi marcado pelos repasses e definições dos novos Grupos de Trabalho (GT), implementados em outubro de 2024, cujas ações materializam as agendas da rede. 

Estiveram presentes pesquisadoras convidadas da Fundação Carlos Chagas e Unicamp, as jovens negras ativistas do MUDE com elas e representantes das organizações participantes da rede Ação Educativa, CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Escola Comum, Kinah Gestão de Pessoas, Marcha das Mulheres Negras SP, Ministério do Trabalho e Emprego, Oxfam Brasil, Plan International Brasil, Terre des Hommes Alemanha, UNE Afro e Viração Educomunicação.

Créditos: Comunicação da Ação Educativa

Juventude no centro

Recebida com unanimidade, a proposta do GT Participação de Jovens Negras pela criação de um Conselho Jovem foi a primeira discussão da manhã. A ideia é reunir representantes dos coletivos e instituições da rede para que colaborem ativamente na construção e revisão das agendas, de forma transversal. Ficou definido que cada organização deve mobilizar pelo menos uma jovem para integrar o grupo.

“Na minha experiência nos cursinhos populares, o que vejo é uma mulheridade negra plural e extremamente diversa. A criação de um conselho é necessária para que elas falem por si e possam colocar suas perspectivas em todas as ações da rede”, opinou José Olímpio, da UNE Afro.

Construindo compromissos com o setor empresarial

Na sequência, o GT Diálogo com as Empresas apresentou a proposta de elaboração de uma Carta Compromisso. O documento pretende estabelecer ações e deveres do setor privado para garantir o acesso ao trabalho digno para jovens negras.

A carta será construída coletivamente ao longo de três oficinas da rede já agendadas: 24 de abril, 29 de maio e 12 de junho. A última contará com a participação de empresas convidadas, que somarão com suas demandas na formulação do texto final. A meta é que a carta esteja concluída até o Encontro Anual do MUDE com Elas, marcado para o mês de julho, em Brasília (DF).

Segundo Gabriel di Pierro, coordenador da área de juventude na Ação Educativa, o desafio está no engajamento contínuo do setor privado, para além da adesão simbólica. “Estamos tentando repensar uma alternativa que não apenas identifique as empresas que aderirem, mas que também qualifique esse diálogo de forma constante, anualmente, para que não seja apenas uma assinatura por um selo, e sim um compromisso efetivo”.

Conhecimento é a chave

O GT Observatório deve avançar significativamente na produção e difusão de conhecimento em 2025. O MUDE com Elas pretende lançar pelo menos três estudos temáticos, encabeçados pelo CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), e estreitar a relação do projeto com universidades e instituições que mapeiam e produzem conhecimentos, promovendo encontros ampliados e webinários abertos ao público. 

A atualização do estudo “A situação das jovens negras no mercado de trabalho”, construído a partir de dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), abre a temporada de lançamentos, no mês de maio (Mais informações em breve). Na mesma data, será apresentado o site do Observatório MUDE com Elas, um repositório de pesquisas, análises, estudos, notícias e materiais voltados ao público geral e aos setores público e privado.

O GT também pretende desenvolver um Guia de Trabalho Saudável para Jovens Mulheres Negras, reunindo recomendações baseadas nas experiências das jovens negras ativistas que integram o projeto. Ao mesmo tempo, seguirá articulando parcerias com coletivos, universidades e veículos de mídia independente para ampliar o alcance das pesquisas e fortalecer o debate público.

De olho nos canais de denúncia

Em 2025, o Grupo de Trabalho de Incidência Política se dedicará a avaliar a eficácia dos canais de denúncias de infrações no trabalho e a elaborar uma nota técnica sobre o assunto. O grupo planeja articular uma reunião interministerial, envolvendo os Ministérios do Trabalho e Emprego, Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres, para apresentar os resultados, previstos para o segundo semestre.

O GT também acompanhará de perto o Plano Nacional de Juventude, com atenção especial aos impactos nas juventudes negras, e fortalecerá a cooperação técnica com a Secretaria Nacional da Política de Cuidados. Outro objetivo central de advocacy é ampliar a participação de jovens negras no Fórum Nacional de Aprendizagem, visando a diversificação e melhoria de oportunidades.

Uma campanha de comunicação institucional também deverá ser desenvolvida para engajar as jovens negras na defesa da Política Nacional de Cuidados, destacando seus impactos.

Por que a Política Nacional de Cuidados é tão importante?

De acordo com dados da PNAD de 2019, as mulheres dedicam o dobro de horas não remuneradas ao trabalho de cuidado em comparação aos homens. Em São Paulo, 62% dos deslocamentos relacionados ao cuidado são feitos por mulheres, 50% deles a pé. Esses dados foram apresentados no encontro pelo Instituto Pólis, que integra a rede do MUDE com Elas.

“Embora a política apresentada até agora seja positiva, com o reconhecimento do direito ao cuidado e das cuidadoras, ainda falta um recorte racial, já que a maioria das mulheres nessa função é negra, além de um maior detalhamento sobre a origem dos recursos e o processo de adesão dos municípios e estados”, destacou Kelly Agopyan, assessora de projetos do Instituto Pólis.

O Instituto firmou um acordo de cooperação técnica com a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família, que prevê pesquisa, mobilização de atores sociais estratégicos e disseminação de informações por meio de canais de comunicação.

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Este conteúdo foi produzido para o MUDE com Elas, rede multiatores superando a desigualdade de gênero e raça, implementada a partir de uma parceria entre Terre des Hommes Brasil, Ação Educativa e CEERT, com cofinanciamento da Cooperação Alemã/BMZ.

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Teresa Cristina

Jornalista educomunicadora.

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