Atuação política e os impactos sociais para jovens negras

Por Kali Rodrigues
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As potencialidades da juventude negra cis e trans estão evidentes quando os assuntos são: articulação política e engajamento estudantil.

A juventude negra feminina, por muito tempo invisibilizada, emerge como uma força transformadora na luta por direitos e equidade. Uma formação política assídua possibilita a ocupação de espaços antes considerados inacessíveis, ampliando as perspectivas de permanência e o reconhecimento entre narrativas.

O aprendizado expandido além das salas de aula é capaz de impactar uma geração inteira, o investimento ao equipar a juventude negra com habilidades necessárias para o mercado de trabalho atende uma necessidade individual e a reparação coletiva. 

Além de ser um processo contínuo, gera um impacto social e proporciona uma maior empregabilidade com experiências educacionais diversificadas, e assim garantindo que tenham ferramentas essenciais para também fazer parte dessa construção coletiva que supre a necessidade e cumpre o direito da juventude. 

Para além da busca ativa por um trabalho formal, estágio, curso profissionalizante, o maior interesse das jovens mulheres negras periféricas está em conseguir o acesso gratuito a boas oportunidades de estudos, incluindo o  preparo para os vestibulares com foco na inserção do ensino superior. As jovens negras enfrentam uma série de desafios, como a falta de financiamento e recursos, acesso a infraestrutura adequada e a persistência do preconceito e discriminação. Além disso, muitas delas precisam conciliar os estudos com os cuidados domésticos. 

No dia 05 de dezembro, a rede multiatores MUDE com Elas promoveu, na sede da Ação Educativa, um rico debate com temas relevantes e pertinentes sobre o mercado de trabalho e as lutas da juventude. Mediado por Deusa Negra (Mude com elas) e com a participação das jovens ativistas Érika Matheus (ANTRA), Júlia Silva (UNEAfro), Yasmin (Ubuntu), este encontro proporcionou espaços para trocas de experiências e a construção de estratégias coletivas. 

Em suas narrativas individuais o ativismo político se manifesta de maneira multifacetada, desde a produção artística até a participação efetiva em espaços de decisão. Ao reivindicar por direitos, essa geração demonstra um profundo entendimento da importância do empoderamento coletivo, visto como contribuição importante dos saberes por um protagonismo ativo para aprimorar seu engajamento social, entendendo que a articulação política da juventude carrega consigo a conscientização do coletivo, a participação nas lideranças em universidades e escolas, a utilização das plataformas digitais para a propagação das ideias, formação de redes de apoio com parcerias, ONGs, instituições e empresas.

Por outro lado, a representatividade dentro da comunidade ganha visibilidade e reconhecimento das jovens mulheres negras, incluindo buscas por melhorias nos territórios, exemplos positivos de autonomia e confiança para as futuras gerações.

Sobre as estratégias políticas, as participantes pontuaram também sobre a defesa dos programas de emprego, cursinhos populares, visibilidade trans no mercado de trabalho e a acessibilidade digna dentro das instituições e mercado de trabalho como resposta à taxa de desemprego entre mulheres jovens negras, que costuma ser mais alta do que a média nacional segundo os dados da PNAD. 

A fala da Érika Matheus destacou desafios cruciais enfrentados por jovens trans negras, e revela uma realidade alarmante e complexa, a informalidade das mesmas contribui para a perpetuação do preconceito na sociedade. “Somos expulsas compulsoriamente por conta da transfobia, começando no âmbito familiar e consequentemente na educação. […] O estado não se preocupa, então, a gente tem que fazer o nosso corre. Somente 4% das jovens trans têm trabalho formal”. 

É fundamental que a sociedade como um todo se engaje na luta pela inclusão de jovens negras trans no mercado de trabalho, a fim de exigir o cumprimento de leis trabalhistas  mais eficazes, combatendo a transfobia em todas as suas formas. Há uma grande necessidade da criação e implementação de políticas públicas antidiscriminatórias, apoio a organizações LGBTQIAPN+, educação sobre diversidade sexual, campanhas contra a transfobia, inclusão e permanência de jovens trans em decisões políticas e também acesso à entrada em setores públicos e privados juntamente com o apoio acadêmico.

Este conteúdo foi produzido para o MUDE com Elas, rede multiatores superando a desigualdade de gênero e raça, implementada a partir de uma parceria entre Terre des Hommes Brasil, Ação Educativa e CEERT, com cofinanciamento da Cooperação Alemã/BMZ.

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Kali Rodrigues

Kali Rodrigues, integrante do Mude com Elas, jornalista, fotógrafa.

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Kali Rodrigues, integrante do Mude com Elas, jornalista, fotógrafa.

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