Mulheres jovens negras são a parcela da população mais afetada pelo desemprego, aponta IBGE

É o que dizem os dados da PNAD Contínua (2016-2021). E a vida também.

Por Jéssica Rezende, da Agência Jovem de Notícias

Você já ouviu falar na PNAD Contínua? Trata-se de uma pesquisa realizada desde janeiro de 2012, em caráter definitivo e em âmbito nacional, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De maneira geral, seu objetivo é determinar, investigar, mensurar e acompanhar a evolução de indicadores estratégicos para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do país – a partir da inserção no mundo do trabalho e outros temas suplementares.

Mas engana-se quem olha para estes dados e os compreende apenas enquanto números soltos. Na verdade, não só a PNAD, mas a realização de pesquisas e estudos são importantes para comprovar estatisticamente hipóteses que formulamos a partir de observações no campo sociológico. Captou a ideia? É tipo assim: o pessoal de humanas indica uma questão para ser investigada e se junta com o pessoal de exatas, que vai traduzir estas informações em dados.

Como uma fotografia, estes números imprimem a realidade no tempo-espaço do aqui-agora e permitem um olhar ao longo do tempo, das mudanças que ocorrem entre um levantamento e outro. Por exemplo: apesar dos importantes avanços socioeconômicos alcançados ao longo dos anos 2000, hoje a pobreza e a desigualdade voltaram a fazer parte da realidade de grande parte da população brasileira. 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), no terceiro trimestre de 2021, a taxa de desemprego era de 12,6%. No entanto, ao analisarmos os dados com os recortes de raça, gênero e faixa etária, descobrimos um detalhe importante: destas pessoas, jovens mulheres negras são a parcela mais afetada pela dificuldade de inserção saudável no mercado de trabalho. Entre as pessoas de 14 a 29 anos, a taxa chegava a 21,9%. Já entre as mulheres negras de todas as idades, a média era de 18,9%. No contexto da Região Metropolitana de São Paulo, considerado um dos mais importantes polos econômicos do país, o desemprego entre jovens mulheres negras alcançou a marca de 31,3%. O que estes números podem nos dizer sobre a vida e as desigualdades enfrentadas por estas jovens?

De olho nos números, de olho na vida

Marcadores sociais como raça, classe, gênero e faixa etária colocam uma lupa sobre o problema; podendo nos revelar o tamanho, a profundidade e a complexidade da crise a qual certos grupos estão submetidos. Se a inclusão produtiva no mercado de trabalho para as juventudes já é uma questão importante, por que ela se agrava ainda mais quando estamos falando de mulheres negras?

É importante ter um olhar mais cuidadoso neste momento, enriquecendo as análises com aspectos sociológicos que devem ser considerados. No caso do grupo em questão, estas jovens já têm que enfrentar a sobrecarga do trabalho doméstico – geralmente atribuído às mulheres, que acabam precisando lidar com jornadas triplas para “dar conta de tudo”. O racismo estrutural também é outro fator importante no que diz respeito não só à dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, mas também à fragilidade nos vínculos empregatícios e aos inúmeros casos de informalidade na prestação de serviços.

Diante deste cenário, no que diz respeito à superação das desigualdades, qual é o papel do poder público? Como o setor privado pode atuar para contribuir com o aumento da inclusão de jovens mulheres negras no mercado de trabalho formal? E a sociedade civil, como pode colaborar na construção destas estratégias? É isso que o projeto “Mude com Elas – Multiatores superando a desigualdade de gênero e raça” pretende debater em um encontro virtual na próxima semana.

Sobre o evento

O 4º Encontro de Reflexão Mude com Elas acontecerá na quarta-feira, dia 25 de maio, às 10h BRT. Conheça os especialistas convidados para compor a mesa de debate:

  • Pedro dos Santos Bezerra Neto – Engenheiro pós-graduado em estatística aplicada e pesquisador em estatísticas do trabalho e rendimento.
  • Camila Almeida – Coordenadora Nacional de Projeto no escritório brasileiro da OIT – Organização Internacional do Trabalho.
  • Stephanie Felicio – Conselheira Municipal da Juventude de São Paulo.

O evento é aberto ao público geral e contará com a presença de representantes das organizações que formam a Rede Multiatores Mude com Elas, bem como das jovens multiplicadoras do projeto. No entanto, as vagas são limitadas.

Para participar, é preciso realizar inscrição prévia a partir do formulário:

O link para acessar a sala do Zoom será enviado com antecedência para o e-mail fornecido no cadastro.

Programação

10h – Abertura
10h05 – Jovens mulheres negras no mercado de trabalho: o que dizem os dados da PNAD Contínua do IBGE?
10h35 – Comentários dos especialistas convidados
11h05 – Microfone aberto: reflexões e proposições dos participantes e especialistas
12h – Encerramento

Sobre o projeto

O ‘Mude com Elas – Multiatores superando a desigualdade de gênero e raça’ é uma iniciativa implementada em parceria pela Ação Educativa, AHK São Paulo – Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha em São Paulo e do escritório da Terres des Hommes Alemanha em São Paulo, com apoio da Viração Educomunicação por meio da Agência Jovem de Notícias.

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