Maria Firmina dos Reis: Uma trajetória Marcada pelo Pioneirismo

Pioneira no gênero romancista, é também considerada a primeira escritora negra do Brasil.

Por Gustavo Souza, da redação.

Filha de João Esteves e Leonor Felipa dos Reis, Maria Firmina dos Reis nasceu em 11 de Março de 1822, em São Luís do Maranhão, data em que hoje é comemorado o dia da mulher maranhense. Coincidentemente, nasceu no mesmo ano em que o Brasil se tornou independente de Portugal e começou a andar com suas próprias pernas – no entanto, esse fato pouco mudou as realidades das mulheres e, principalmente, das mulheres negras. Maria Firmina foi acometida à invisibilidade e isso traz lacunas históricas até hoje. Muitas pessoas nunca ouviram falar dessa importante figura da literatura nacional – Maria Firmina é considerada a primeira escritora negra brasileira e também a primeira no gênero romancista do país.

Em sua autobiografia, intitulada “Resumo da minha vida”, a escritora fala que foi criada com uma educação freirática, onde foi ensinada basicamente a lavar, passar e cozinhar. Naquela época, essa era a “arte” de ser mulher – do jeito que conhecemos hoje como “bela, recatada e do lar”. Mesmo com muitas restrições, Firmina contou com o apoio de sua mãe e de seu primo, Francisco Sotero, que era professor, poeta, jornalista e crítico literário, para começar a escrever. Antes de ser escritora, ela foi professora das primeiras letras do município de Guimarães, sendo a primeira colocada do concurso público. Logo depois, criou a primeira escola gratuita mista entre meninas e meninos do Maranhão, que funcionou até 1882. Em sua trajetória marcada pelo pioneirismo, foi também a primeira mestra régia em Letras do país.

No primeiro lugar, Firmina ocupa vários rankings. Seu primeiro romance foi publicado em 1859, intitulado “Úrsula”, que também é considerada uma das primeiras obras da literatura afro-brasileira. Naquela época, mulheres não podiam lançar livros, por isso a escritora se intitulou como “A Maranhense”.  A obra retrata uma história de amor, ódio, escravidão e liberdade através da história de amor entre Úrsula e Trancredo. A autora tem outras obras marcantes, como “A escrava”, onde assume uma postura crítica ao escravismo e dá voz às mulheres abolicionistas e escravizadas, descrevendo o sofrimento por castigos físicos, falta de liberdade e, principalmente, pela separação entre elas e seus filhos.

Maria Firmina também foi pioneira do abolicionismo em nossa literatura, pois em suas obras a autora retrata sujeitos que eram escravizados como nobres e generosos, ocupando posições sociais em igualdade aos brancos. Firmina se apropriou da literatura para apontar os problemas sociais de sua época. A escritora falava abertamente sobre a sociedade autoritária, racista e patriarcal em que vivia, que se apoiava em escravidão e desigualdade social.

E se eu te contar que ela também era musicista? Pois é isso mesmo! Maria Firmina criou sete composições com letra e melodia. Entre elas, estão o Auto de Bumba-meu-boi e o Hino à liberdade dos escravos. A mulher é um fenômeno!

É triste uma figura importante como essa não ser conhecida pela sociedade. Mesmo após muitos anos, mulheres negras que tiveram grandes trajetórias de resistência e pioneirismo em suas épocas continuam cobertas pela cortina do esquecimento. Por isso entramos no questionamento: nós deixamos de viver em um tempo machista e racista? As mulheres negras têm o reconhecimento que merecem?

Julho das Pretas

No dia 25 de julho é comemorado o dia da mulher negra latino-americana e caribenha, intitulado em 1992, com o foco de dar visibilidade à luta de mulheres negras contra a opressão de gênero, exploração e racismo. No Brasil, a data homenageia a lider quilombola Tereza de Benguela, simbolo de luta e resistência do povo negro. Tereza assumiu o comando do Quilombo Quariterê e o liderou por décadas, ficou conhecida por sua visão vanguardista e estratégica.

Agência Jovem de Notícias + U-Report Brasil

Este texto faz parte de uma série especial de conteúdos, desenvolvidos em parceria entre a Agência Jovem de Notícias e o U-Report Brasil, para celebrar o Julho das Pretas. Além de uma série de textos, foi desenvolvido um quiz sobre mulheres negras brasileiras que marcaram a nossa história.

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