E se eu não pudesse mais voltar para casa?

Em um mundo de certezas, se questionar sobre algo ainda é uma opção? Tudo é imediatista, estranhos te julgam e questionam suas decisões e você não encontra conforto no meio de tudo isso, simplesmente por estar em um lugar que te cansa, e principalmente por não encontrar resposta para a seguinte questão: É possível voltar para casa?

Por Gustavo Souza 

O ano de 2023 está prestes a se findar, agora se imagina em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, ao seu redor, ninguém te conhece e você não conhece ninguém, e todos tem apenas um único objetivo chegar em casa, mas a situação te deixa cada vez mais distante do objetivo e simplesmente a vida te coloca em um caminho desconhecido, e tudo que era uma certeza se torna um labirinto.

Esse contexto te lembra algo? É exatamente assim que nos sentimos muitas das vezes, submersos a situações, pessoas ou contextos que parecem nos afogar e no meio de tal situação só surge uma pergunta, será que consigo voltar para casa? Já te antecipo que casa nesse contexto é a representação de um lugar que te trás paz, onde sua verdade prevalece, a sensação de lar, porto seguro, o lugar que te trás paz.

O mundo tá moderno, as luzes da cidade se competem com as estrelas, o artificial toma conta do natural, é comum nos questionarmos se o problema somos nós ou o outro,  as pessoas parecem de gesso e as relações de plástico, conexões antes tão profundas, tornaram-se superficiais, enterradas sob uma avalanche de notificações e mensagens instantâneas, até porque mascarar que está tudo bem na rede social é o nosso dever, vender uma felicidade que é apenas virtual é um novo hábito e dentro desses ambientes virtuais criar realidades alternativas no mundo real. 

É intrigante perceber como estamos perdidos entre pixels e perfis, e algo estivesse desaparecido no meio de tudo isso, seria a simplicidade de um olhar sincero. Hoje o mundo se encontra em uma dança frenética, que se move ao ritmo da pressa e ansiedade, as pessoas correm tanto, mas para onde mesmo? A busca por sucesso material obscureceu a verdadeira essência da vida, o coração que antes pulsava com empatia hoje é frio, e por mais que ele tente se manter pulsante, vive numa névoa maior que o deprime e não o deixa pulsar. 

Casal em um jantar conversando sobre as redes sociais afetar o contato humano e os mesmos estão conectados cada um em seu mundo virtual. Fonte: Charges Bruno.
“Somos uma geração triste de fotos felizes”.

Provavelmente caminhando pela rua já reparou rostos desconhecidos que passam por você, cada um dentro do seu universo único, com suas histórias profundas, mas quantos deles realmente se conhecem? Na verdade, é difícil questionar algo ao outro quando você mesmo não sabe sua resposta, é nessas dúvidas que a solidão se torna melhor amiga, não achar uma resposta sobre você e qual caminho está percorrendo é uma tortura, você sabe que está movendo pra um lugar pois o cansaço deixa isso evidente, mas para onde? Pra um lugar que te faça feliz? Para uma conquista pessoal? Ou apenas seguindo o’que foi imposto? 

Estamos interligados virtualmente, mas desconectados emocionalmente, a tecnologia, que promete unir, muitas vezes nos distancia e envolvidos em uma teia digital, esquecemos a importância do toque humano, do olhar nos olhos, da simplicidade de uma conversa cara a cara e aos poucos vamos deixando de ter sensibilidade com o próximo simplesmente porque não temos mais contato com ele. Se queremos demonstrar que gostamos de algo, damos um like, que chamou nossa atenção, deixamos um comentário e acreditamos que aquela ideia deve ser propagada apenas compartilhamos.

Assista este vídeo e reflita ainda mais sobre o assunto:

A casa aqui citada, é aquela que dá a sensação de real morada, onde o calor das relações é um hábito e sua felicidade é cotidiana e principalmente, instantânea. Onde os laços que antes eram inquebráveis, agora enfrentam o desafio de até não exigir, as palavras de afeto são digitalizadas e sua emoção é perdida na frieza das telas. Saudade né? Da cumplicidade de antes, a alegria em fazer coisas simples como tomar um banho de chuva e sentir o cheiro de terra molhada ou simplesmente ir para o quintal pegar sol, a saudade nem sempre  é do espaço físico mas sim da sensação de pertencimento. 

Todos nós desejamos um lugar onde as almas se reconheçam, as conexões se aprofundem e a busca incessante por algo a mais não nos impeça de apreciar a beleza do momento presente. Por isso devemos fazer coisas que nos deem a sensação de estar vivos, e cada pessoa tem o seu jeito de sentir isso, uns é cozinhando, outros passeando e já outros é estar numa mesa cheia de amigos, independente de como seja sua forma de se sentir vivo, apenas faça! 

Mas calma, as vezes você é uma daquelas pessoas que não tem mais um lugar para voltar, onde infelizmente o tempo desfez tudo laço ou vínculo que existia, talvez para você seja a hora de construir um novo lar, que não apenas de tijolos e cimento mas sim de amor, felicidade e a verdadeira conexão com o próximo.

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