Identidades Surdas e Libras: Pluralidade, realidades e resistências

Por Fernanda Filiú
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A Língua Brasileira de Sinais, ou somente, Libras, é considerada a primeira língua oficial da comunidade surda. Apesar de não falada por todo esse grupo, a Libras possui um papel fundamental na luta pela acessibilidade e inclusão. Na semana do Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, vamos aprender um pouco mais sobre sua história, seu alcance e a importância dos profissionais intérpretes de Libras em ambientes públicos e privados.

Reconhecida como meio legal de comunicação e expressão por meio da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2022, a Libras é uma ferramenta essencial para o processo de inclusão. Entretanto, apesar de legitimada, a Língua Brasileira de Sinais não é uma língua oficial do Brasil. Mesmo com o reconhecimento, a Libras não foi devidamente regulamentada como segunda língua oficial: na Constituição ainda consta que a única língua oficial do país é o português.

A Língua Brasileira de Sinais normalmente é utilizada pela comunidade surda por parte dos não-surdos, que erroneamente a entendem como língua materna desse grupo. Porém, é importante ressaltar que a definição da população surda vai além da parcela de surdos que não ouvem. A comunidade surda não engloba somente os não ouvintes, mas sim uma diversidade de tipos de surdez. 

Símbolo Língua Brasileira de Sinais / Imagem: Canva 

Existem surdos que não ouvem, que ouvem, surdos que usam ou não Libras, surdos usuários somente de tecnologias auditivas, surdos que usam essas tecnologias e também usam Libras… Enfim, a pluralidade de identidades surdas é imensa! Além disso, a surdez também é definida em graus, sendo eles leve, moderada, severa e profunda. Diante desse contexto, fica impossível enquadrar essa diversidade em uma definição tão pequena como o uso ou não uso da Língua Brasileira de Sinais.

Porém, mesmo não sendo a língua natural de todos os surdos, a Libras ainda possui um papel fundamental no movimento da inclusão e acessibilidade no Brasil. Em pesquisa com pessoas de 5 anos ou mais de idade, independente de serem pessoas com deficiência, segundo o grau de dificuldade para ouvir, realizada pela Pesquisa Nacional de Saúde 2019 (PNS), dos entrevistados que referiram ter ao menos alguma dificuldade para ouvir totalizaram-se cerca de 1,7 milhão de pessoas.

Dentre esse grupo, aproximadamente 153 mil pessoas disseram saber usar a Libras, representando 9,2% do total. Entre os deficientes auditivos (pessoas com muita dificuldade de ouvir ou que não conseguem ouvir de modo algum), o percentual foi de 22,4%. Para as pessoas que declararam não conseguir ouvir de forma alguma, 61,3%, aproximadamente 43 mil pessoas, sabiam usar Libras, o que nos mostra a grande relevância do uso da língua de sinais para os indivíduos inseridos nessa identidade surda.

Gráfico da pesquisa sobre o uso da Libras pela população surda
 entrevistada / Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde – PNS 2019

De fato, a acessibilidade para surdos não consiste somente na interpretação em Libras. A Língua de Sinais não atende as necessidades de toda a comunidade, que pode utilizar outros meios de comunicação, como a leitura labial e a oralidade.  Além disso, a legendagem para surdos e ensurdecidos (LSE), tipo de técnica acessível de tradução de signos visuais para verbais,  é uma aliada na luta pela inclusão social dessa população.

O papel dos intérpretes de Libras no processo comunicacional 

O tradutor e intérprete de Libras é o profissional responsável pela comunicação entre surdos falantes da língua de sinais e ouvintes. Com diversas atuações, como no âmbito educacional, cultural, artístico e político, os intérpretes de Libras são essenciais para tornar a comunicação acessível para surdos sinalizados. 

Para Karen Alessandra, técnica em Intérprete de Libras e discente do curso de Letras-Libras na Universidade Federal do Ceará (UFC), é um dever social tentar ao máximo adaptar a interação entre não-surdos e surdos falantes de Libras. “É importante que de pouquinho em pouquinho a gente tome consciência de procurar, respeitar, fazer com que essas pessoas se sintam mais valorizadas e bem recebidas em todos os meios que elas estiverem presentes, independente das limitações”, disse a estudante.

Karen Alessandra, técnica em Intérprete de Libras, realizando a tradução da fala do Jornalista Victor Vasconcelos na XIII Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará / Imagem: Fernanda Filiú

Quando há carência desses profissionais em ambientes públicos e privados, a interação entre surdos sinalizados e pessoas ouvintes não falantes da língua de sinais é prejudicada, excluindo a primeira comunidade. Os intérpretes de libras são profissionais devidamente habilitados, e dominar a língua de sinais não torna uma pessoa qualificada para a função. 

Assim como outras profissões, os intérpretes de Libras possuem um código de ética profissional, que deve ser estritamente seguido. Responsável por intermediar processos interativos conversacionais e discursivos, o intérprete tem a responsabilidade pela veracidade e fidelidade das informações. Reconhecer o profissional intérprete de Libras é essencial para a promoção da inclusão e comunicação acessível no Brasil. 

Porém, é importante agir diante da urgência de se pensar políticas públicas que contemplem todos os surdos já que, como mencionado, a Libras, que é sim uma importante ferramenta na luta pela inclusão, não abarca toda a comunidade surda. Incluir outros recursos de acessibilidade, como a legendagem para surdos e ensurdecidos que mencionei acima, nas práticas de diversos campos e em produções, se faz indispensável para pluralizar as formas de acessibilidade no Brasil. Acessibilidade e Inclusão  são direitos, e não caridade.

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Fernanda Filiú

Olá! Me chamo Fernanda Filiú e sou estudante de jornalismo na Universidade Federal do Ceará! Sou apaixonada pela natureza e gosto muito de assistir filmes e séries.

Fernanda Filiú

Olá! Me chamo Fernanda Filiú e sou estudante de jornalismo na Universidade Federal do Ceará! Sou apaixonada pela natureza e gosto muito de assistir filmes e séries.

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