Desmistificando o mito do ‘gênio solitário’: Celebrando a diversidade neurocognitiva na ciência

A contribuição e a diversidade de perspectivas que as pessoas neurodivergentes trazem para o campo da ciência.

Por Paula Serpa

Em um cenário marcado por mudanças sociais e avanços na equidade de gênero, é crucial reconhecer e celebrar a contribuição das pessoas neurodivergentes para a ciência. Dados recentes evidenciam que cada vez mais pessoas se identificam como neurodivergentes e na participação desses indivíduos em diversas áreas científicas, sublinhando a importância de suas perspectivas únicas para o progresso do conhecimento.

Pesquisas conduzidas por instituições renomadas revelam que pessoas neurodivergentes têm desempenhado um papel cada vez mais significativo em projetos científicos e estão caminhando para ocupar posições de destaque em laboratórios e instituições acadêmicas. Por exemplo, pesquisas recentes demonstram um crescimento substancial na representação de pessoas neurodivergentes no ambiente de trabalho, com a internet e a crescente facilidade de acesso à informação, pessoas neurodivergentes têm cada vez mais oportunidades de obter um diagnóstico definitivo.

É importantíssimo ouvir as pessoas neurodivergentes nessas áreas para se ter uma perspectiva mais realista da situação de cada um. Como a publicação “Como apoiar pessoas deficientes na ciência?” da Doutora em educação Helen Abdom.

A diversidade de pensamento proporcionada por essa inclusão tem-se mostrado fundamental para impulsionar a inovação científica. A presença de pessoas neurodivergentes traz uma variedade de abordagens e soluções criativas para os desafios enfrentados pela ciência contemporânea, enriquecendo assim o ambiente de pesquisa e promovendo avanços significativos em várias áreas do conhecimento.

Imagem divulgação: Dr. Sheldon Lee Cooper
da série “The Big Bang Theory”

Porém, é importante a desmistificação da imagem de cientista neuro divergente implantada pela mídia mundial, onde temos um cientista considerado um gênio, porém sem nenhuma habilidade e prática para interações sociais, um forte exemplo é o Dr. Sheldon Lee Cooper da série “The Big Bang Theory” (A Teoria do Big Bang), ou até mesmo do Dr. Spencer Reid da série de investigação “Criminal minds” (Mentes criminosas).

Imagem divulgação: Dr. Spencer Reid
da série de investigação “Criminal minds”

Em ambos os exemplos são demonstrados personagens baseados em um mesmo modelo, homens considerados gênios desde a infância, tendo terminado os estudos com muitos anos de antecedência e sem nenhum traquejo social, isso apenas ajuda no estereótipo de que pessoas neuro divergentes necessariamente não tem habilidades quando se trata de interações sociais, o que não é necessariamente verdade, esse traço, pode sim ser encontrado em pessoas neuro divergentes, porém não é uma regra. Também é importante ressaltar que esse estereótipo é sempre demonstrado com homens, portanto é importante dizer que mulheres  neurodivergentes também precisam ser incluídas quando se trata de representatividade sem estereótipos.

O estereótipo de gênero também pode ser e é extremamente prejudicial, fazendo com que pessoas neurodivergentes que apresentam dificuldades de aprendizado possam ser consideradas “menos neurodivergentes”, ou até mesmo causando problemas psicológicos devido a comparação excessiva que o ser humano costuma apresentar.

Além do aumento da participação em cargos de pesquisa, as pessoas neurodivergentes estão cada vez mais ocupando posições de liderança em instituições científicas e desempenhando papéis influentes na formulação de políticas e estratégias científicas. Essa mudança na dinâmica do ambiente científico reflete um reconhecimento crescente da importância da diversidade neurocognitiva para a excelência e o progresso da ciência.

Este progresso é celebrado como um passo significativo rumo a uma comunidade científica mais inclusiva e representativa. Iniciativas que visam apoiar e capacitar pessoas neurodivergentes na ciência, como programas de mentoria e redes de apoio, são fundamentais para promover um ambiente de trabalho mais acessível e acolhedor para todos os cientistas, independentemente de sua neurodiversidade.

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