DESIGUALDADE S.A: Relatório lançado pela Oxfam mostra a realidade e as causas da desigualdade social

Lançado pela Oxfam Brasil em 2024, o relatório “Desigualdade S.A – Como o poder das grandes empresas divide o nosso mundo e a necessidade de uma nova era de ação pública” relata sobre como a desigualdade social está diretamente vinculada ao crescimento do lucro de empresas comandadas pelas pessoas mais ricas do mundo.

Por Camila Alves e Raika França

Informações gerais

A Oxfam é uma Confederação Internacional de 21 organizações que junto a parceiros e aliados trabalha alcançando milhares de pessoas pelo mundo.  
O relatório Desigualdade S.A – Como o poder das grandes empresas divide o nosso mundo e a necessidade de uma nova era de ação pública é composto por quatro capítulos intitulados respectivamente: Uma era dourada da divisão, Uma nova era de poder monopolista, Como o poder das grandes empresas alimenta a desigualdade e Rumo a uma economia para todos.

Foto: Danny Lehman

Reflexão e discussões abordadas no relatório

O relatório inicia a análise com uma realidade impactante: os lucros obtidos pela empresa Amazon. Não é de se espantar sobre isso, visto a maneira em que ela é bastante inserida em nossa sociedade, porém, são os relatos por trás das câmeras que precisam de atenção. Alguns trabalhadores relataram sobre as condições precárias de trabalho, sem tempo para intervalo ou permissão para beber água. Em casos de trabalhadoras do sexo feminino, se testarem positivo na gravidez, elas teriam de pedir demissão.

Esse é apenas um caso dentre muitos e o começo de uma jornada mais profunda de como realmente essas empresas trabalham e do que elas são capazes de fazer visando o próprio lucro. Assim como pontuado no relatório, a maioria dos super-ricos, ou seja, as pessoas mais ricas do mundo,  vivem na Europa e nos Estados Unidos, o que mostra que grande parte dessa riqueza que eles possuem é herança dos tempos do colonialismo e impérios e, no caso dos EUA, da escravidão e expropriação sistemática dos povos indígenas.

A herança deixada pelo colonialismo para os países desenvolvidos obviamente conversa com o cenário de lucros e rendas, assim como o cenário de dependência por parte dos países explorados na época colonial também vai de encontro ao atraso e à falta de oportunidades. Essa relação de poder foi estabelecida desde a ocasião da exploração e dita até os dias de hoje o local de concentração destes bens.

Grupos discriminados por raça e etnia têm menos probabilidade de ser donos da própria empresa. Segundo dados do relatório, nos Estados Unidos 89% das ações pertencem a brancos , 1,1% a negros e 0,5% a hispânicos. De mesmo modo, o relatório nos apresenta a desvantagem feminina perante esse cenário, as mulheres são donas de apenas uma em cada três empresas.  Também nos Estados Unidos, o 0,1% mais rico representa 22,2% das ações que têm famílias como donos, o 1% mais rico possui 53,8%, enquanto os 50% mais pobres têm apenas 0,6%. 

Com toda a riqueza acumulada, os super-ricos são responsáveis por ditar como a economia e os governos vão se comportar socialmente. Dentre esses poderes, aumentar preços para os consumidores, reduzir salário, abusar dos trabalhadores, limitar o acesso a bens e serviços fundamentais, impedir a inovação e o empreendedorismo e privatizar serviços públicos em benefício do lucro privado.

Um período muito importante para a análise feita foi o ano de 2020, onde, por razão da COVID-19, o mundo passou por um isolamento social e, consequentemente, um balanço econômico. A luta pela sobrevivência cresceu, principalmente para as mulheres, povos discriminados por raça e etnia e grupos marginalizados pela sociedade, visto que esses foram os mais afetados pelas consequências do isolamento. 

Enquanto as empresas conseguiam seus superfaturamentos e o impacto deste feito era sentido pelos seus administradores, o mesmo não ocorreu com a classe trabalhista responsável pelo êxito. Uma vez que seus salários eram desvalorizados e a demanda de trabalho cada vez maior. Esse cenário torna o trabalhador refém deste ciclo vicioso de cada vez mais trabalho, cada vez menos valorização e cada dia mais distante de uma realidade verdadeiramente digna para a execução de seu trabalho.

Aumento da riqueza dos homens mais ricos do mundo (Foto: Oxfam/Relatório Desigualdade S.A.)

Se por um lado tivemos essas pessoas tendo dificuldades para fazer o salário render para todo mês, considerando os preços das mercadorias aumentando cada vez mais, por outro lado tivemos as empresas aumentando seus lucros nesse momento de crise – e não apenas isso, pois, com todas as influências econômicas e políticas que as “Big Pharmas” possuem, durante esse período tão sensível, o olhar lucrativo impactou no tipo de distribuição das vacinas. Com isso, “ao menos outras 1,3 milhão de vidas poderiam ter sido salvas se tivesse havido maior acesso às vacinas contra a Covid-19 durante a pandemia, e países de renda mais baixa, em particular, poderiam ter tido índices de mortalidade mais baixos.”

Outra pauta abordada no relatório é a necessidade da regulamentação climática pelas empresas. Não se pode permitir que pautas sobre dignidade humana e ambiental continuem recebendo o papel de coadjuvante enquanto seus verdadeiros lugares são no protagonismo de um mundo mais justo e sustentável. 

É de extrema importância que sejam aplicadas as devidas responsabilizações e fiscalizações perante este cenário. Não é apenas as pessoas que estão sendo afetadas por toda essa questão da privatização e poder das empresas. O relatório aponta sobre a irresponsabilidade climática que elas têm, a obrigação na identificação e no gerenciamento dos riscos apresentados ao meio ambiente e aos seres humanos deve existir. 

Apesar de tudo, ainda é possível ter esperança. No último capítulo do relatório apresentado, a Oxfam dialoga sobre ações urgentes que precisam ser priorizadas para que os governos consigam, por fim, caminhar em busca de uma igualdade. Uma delas é conseguir controlar o poder das grandes empresas e parar de colocá-las no topo das prioridades a serem ouvidas – está na hora de ouvir os cidadãos e colocar em prática essa economia mais justa para todos!

Para ler o relatório completo, acesse o site oficial da Oxfam Brasil, preencha com os seus dados o que é pedido e baixe o documento.

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