COP28: WOP, um sistema para otimizar recursos hídricos na agricultura

Edoardo De Cal é um dos três jovens talentos italianos por trás do ‘Protocolo de Otimização da Água’, uma plataforma online projetada para monitorar o estado de campos agrícolas usando dados de satélite. Edoardo, também um jovem agente de mudança da Ashoka, nos fala mais sobre sua startup nesta entrevista.

Por Federica Baldo

Tradução: Daniele Savietto

Giulia Sironi, Jacopo Cometti e Edoardo De Cal, são os três protagonistas de uma história corajosa, inovadora e, acima de tudo, verde. Tudo começou quando os três se perguntaram quais seriam os desafios futuros da humanidade devido às mudanças climáticas, e entre muitos setores críticos, a agricultura veio à mente.

Quando falamos sobre a startup Water Optimisation Protocol (WOP), estamos nos referindo a uma plataforma online projetada para monitorar a condição de campos agrícolas usando dados de satélite, a fim de aconselhar os agricultores sobre quando e quanto irrigar seus campos. Tudo isso para maximizar a eficiência no uso dos recursos hídricos, que hoje estão entre os mais comprometidos pelos efeitos das mudanças climáticas.

No estado atual das coisas, as práticas tradicionais de uso da terra e dos recursos não são mais eficazes, daí a necessidade de estratégias mais cuidadosas e meticulosas. O WOP visa apoiar os agricultores na gestão de suas práticas por meio do uso de imagens produzidas por dois satélites da constelação Copernicus da ESA.

Como explica Edoardo De Cal:

“A partir das imagens das terras dos agricultores, índices úteis são então calculados para entender quando e como irrigar o solo. Apesar de essas imagens serem públicas e disponíveis para qualquer pessoa, é difícil para quem não tem conhecimento técnico não apenas acessá-las, mas, acima de tudo, limpar os dados para torná-los úteis para seus próprios fins”.

É precisamente aí que reside a utilidade do WOP, em preencher a lacuna entre o agricultor e os dados, tornando o serviço acessível até mesmo para pessoas com pouca experiência tecnológica. Edoardo descreve como a plataforma nasceu com a ideia de atuar como uma estação espacial dando conselhos do alto para agricultores terrestres sobre como gerenciar suas terras.

No momento, a plataforma está completa e, portanto, já operacional em todas as suas partes, como testemunhado pelo feedback positivo que os três têm recebido até agora dos agricultores italianos que a estão usando.

No entanto, a ideia por trás do projeto se refere a uma lista muito mais ampla de destinatários, em primeiro lugar, agricultores em países em desenvolvimento, e isso por duas razões: em primeiro lugar, esses são os países do mundo mais afetados pelos efeitos das mudanças climáticas e, em segundo lugar, é aqui que uma melhoria nas práticas agrícolas geraria um benefício relativo maior em termos de desenvolvimento e bem-estar do país.

Pedimos também a Edoardo para comentar a ‘Declaração sobre Agricultura Sustentável, Sistemas Alimentares Resilientes e Ação Climática’ assinada por 134 países durante o segundo dia da COP28, em 1º de dezembro de 2023:

O aspecto interessante é o reconhecimento da necessidade de adaptar nossos sistemas alimentares atuais à nova realidade que estamos vivenciando e de proteger o setor agrícola por meio de medidas de apoio. A parceria em si entre a Associação Bill & Melinda Gates e os Emirados Árabes Unidos, com o primeiro alocando 200 milhões em inovação no setor agrícola, mostra que um evento como a COP pode fazer a diferença ao reunir atores privados e governos na missão climática.” Em sua opinião, no entanto, isso não deve impedir as pessoas de tomar ações individuais concretas que vão além de meras palavras e discursos retóricos.

Pensando de forma mais ampla sobre o setor agrícola, fica claro que esse setor em particular enfrenta vários desafios no contexto global atual: crescimento populacional, mudanças climáticas e a crescente demanda para se adaptar aos padrões de sustentabilidade. Todos esses aspectos, explica Edoardo, não podem ser superados apenas pelos decisores políticos ou pelo setor privado; a solução requer a ação conjunta de ambos e, portanto, a cooperação entre eles.

Do lado dos formuladores de políticas, ‘serão necessárias políticas que facilitem a contribuição do setor privado na resolução dessas questões, mas não apenas isso, também políticas que exijam que as empresas se adaptem aos crescentes padrões de sustentabilidade. Por outro lado, o setor privado será chamado a adotar uma mentalidade renovada, onde não haja espaço apenas para o lucro privado, mas também e principalmente para o bem-estar coletivo’, conclui Edoardo.

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