COP28: Performance denuncia os impactos das queimadas na Amazônia

Intitulada “O Último Suspiro”, a ação de protesto realizada na Conferência ONU sobre mudanças climáticas de Dubai pelo Engajamundo, em parceria com o Greenpeace Brasil, expressa os impactos da fumaça das queimadas para as populações amazônidas.

Heitor Scaff*

Nesta terça, 5 de dezembro, em Dubai, palco da Conferência ONU sobre mudanças climáticas (a COP 28), a delegação da organização de jovens Engajamundo marcou o espaço das negociações com uma mensagem urgente. A intervenção, intitulada “O Último Suspiro” tem como foco denunciar os impactos socioambientais que as queimadas na região Amazônica podem causar na qualidade do ar e, consequentemente, na vida das pessoas. A ação, em parceria com o Greenpeace Brasil, contou com a participação das juventudes brasileiras que simbolizaram o cenário insalubre e nocivo que as populações amazônidas estão enfrentando em meio à densa fumaça.

Na Amazônia, os incêndios não são naturais. As florestas tropicais intactas normalmente não queimam, pois são muito úmidas. No bioma Amazônia, o fogo é quase sempre causado pelo ser humano, nas diferentes etapas do desmatamento, seja para limpar a terra da vegetação depois que grandes árvores foram derrubadas ou para enfraquecer a floresta.

Em outubro deste ano, tivemos o recorde de focos de queimadas dos últimos 15 anos – mais de 22 mil no mês. Como consequência, várias cidades, como Manaus, a mais populosa desse bioma, sofreram com a qualidade do ar – o Pará (41,5%), o Maranhão (15,6%) e Amazonas (14,1%) registraram o maior número de focos de calor nos estados da Amazônia Legal. Isso afeta diretamente a saúde da população, houve um aumento de 100% nas internações de crianças por doenças respiratórias na região amazônica durante as queimadas.

Está sendo vendida na COP28 uma ideia de Amazônia que teremos pra COP 30, mas nos perguntamos: Se continuarmos como estamos, que Amazônia existirá em 2025? Enquanto a Amazônia queima, nossa esperança se asfixia. A crise climática mata.

Para Rômulo Batista, porta-voz do Greenpeace Brasil, a ação realizada em parceria com o Engajamundo denuncia a forma como o governo federal e os governos estaduais têm lidado com as queimadas na Amazônia: “A performance dos jovens ativistas do Engajamundo na COP 28 em Dubai, vem cobrar medidas do poder público para prevenir, monitorar e controlar os incêndios florestais na região. Nos últimos meses, a combinação de uma estação mais seca com um El Niño mais forte, impactou diretamente no aumento das queimadas na Amazônia, sendo o Estado do Pará, que vai receber a COP 30 em 2025, um dos maiores recordistas de incêndios em 2023. Este é um momento crucial para o futuro do planeta, é preciso implementar um plano de ação integrado que reconheça os impactos da crise climática e foque não apenas em acabar com as queimadas, mas também em responsabilizar quem destrói o nosso bioma”.

Paulo Galvão é um dos ativistas indígenas do Engajamundo e parte da delegação que montou essa ação na COP28. Segundo ele, “o Brasil tem mostrado uma Amazônia aqui na COP 28 que não existirá na COP 30. Nesse último mês batemos o recorde de queimadas dos últimos 15 anos. A Amazônia está sufocando de diversas formas e por diferentes projetos de destruição, queimadas, agronegócio, garimpo, desmatamento e outros projetos de destruição de vidas e territórios. Em 2025 qual será a Amazônia que o mundo encontrará? Os tomadores de decisão brasileiros que estão aqui, como o Governador do Pará Helder Barbalho, estado sede da COP 30, vendem uma imagem diferente da realidade atual da Amazônia. A ação precisa ser agora, se não a Amazônia que o mundo vai encontrar é a Amazônia sufocada ou morta.”

*Heitor Scaff é um ativista do Engajamundo, uma organização liderada por jovens que acreditam em sua responsabilidade como parte fundamental da solução para enfrentar os maiores desafios socioambientais do Brasil e do mundo. O Engajamundo é parceira da Agência de Notícias Jovem.

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