COP28: Brasil pode desempenhar um papel importante nas negociações climáticas

País sul-americano tem a chance de liderar discussões importantes e estabelecer padrões para a ação climática global

Daniele Savietto

À medida que a COP28 se aproxima, o mundo volta seus olhos para o Brasil, um país que se posiciona como um mediador potencial entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Com a presidência do Mercosul já sob sua responsabilidade e o início de seu mandato no G20 em 1º de dezembro de 2023, coincidindo com o início da COP28, o Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel crucial nas negociações climáticas.

O governo brasileiro afirma assumir como meta a redução de 53% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. Esta posição também  coloca o Brasil no centro das atenções, especialmente considerando a designação da COP28 como “a COP do petróleo”. 

O foco está na maneira como o país vai lidar com a pressão da indústria petrolífera, que, como já falamos, terá uma presença forte na conferência e cuja influência pode ser vista como um obstáculo para uma transição energética eficaz.

Em um webinar promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), a jornalista Daniela Chiaretti, especialista em meio ambiente do jornal Valor, destacou a importância desta COP, comparando-a com a COP de Paris. Por outro lado, Cinthia Leone, do site ClimaInfo, expressou preocupações sobre o papel da indústria petrolífera nas discussões, temendo que seu envolvimento possa ser mais uma forma de lobby do que um compromisso real com a transição para energias renováveis.

Daniela Chiaretti também salientou que, apesar da indústria petrolífera adotar um discurso de comprometimento com a transição energética, a realidade é que apenas 1% do investimento em energia renovável foi realmente realizado por esta indústria até o momento.

Além disso, no dia 21 de novembro, o Senado brasileiro realizou um debate temático sobre as contribuições do Brasil à Conferência. Rafael Dubeux, do Ministério da Fazenda, enfatizou a natureza transversal das mudanças climáticas e seu impacto em diversos ministérios. 

A deputada estadual Célia Xakriabá anunciou o projeto “A Bancada pelo Planeta”, que será apresentado na COP28 no dia 05 de dezembro e visa unificar parlamentares globais em torno dos direitos ambientais.

Rafael Dubeux também relembrou a recente aprovação do Projeto de Lei 412/2022 que institui um mercado regulado de carbono. No entanto, ainda que vendido como uma solução ambiental, existem críticas contundentes sobre a eficácia do mercado de carbono em reduzir emissões versus criar um “mercado da poluição”. Lays Furtado fez uma boa análise em seu artigo “Movimentos denunciam os impactos do mercado de carbono aprovado pelo Senado“, enfatizando a falta da participação popular e os riscos em transformar a emissão de carbono em um comércio.

Diante desses desafios, o Brasil se encontra em uma posição única na COP28. Por um lado, tem a chance de liderar discussões importantes e estabelecer padrões para a ação climática global. Por outro, enfrenta o desafio de equilibrar os interesses da indústria petrolífera com a urgência de medidas ambientais efetivas e inclusivas. 

A eficácia com que o Brasil navegará por essas questões complexas não só definirá seu papel na COP28, mas também moldará sua contribuição para o futuro ambiental global.

Ver +

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *