Contra o machismo e pela luta por igualdade, “vadias” saem às ruas de São Paulo

Texto por Amanda Pina, Letícia Cardoso e Jonathan Moreira / Fotos por Harrison Kobalski, jovens comunicadores da Agência Jovem de Notícias

Colaborou Rafael Silva, educomunicador

SÃO PAULO – Durante a tarde deste sábado, 25 de maio, mulheres e homens ocuparam a avenida Paulista e rua Augusta, regiões centrais da cidade, para protestar contra o preconceito à mulher. Era a 3ª edição da Marcha das Vadias de São Paulo.

De forma irreverente, mas sempre político, as/os participantes fizeram cartazes com frases, pintaram seus corpos e faziam gritos de ordem para mostrar que, em pleno século 21, a violência contra a mulher ainda é um dos principais desafios a serem enfrentados pela sociedade.

O ato deste ano trouxe o tema “Quebre o silêncio – você não está sozinha”, buscando incentivar mulheres a denunciar os casos de violência que sofrem em casa. “Nós propomos esse tema porque 89% da violência sofrida pelas mulheres é doméstica e muitas dessas vítimas não denunciam por medo do que as pessoas vão dizer delas”, explica Marina, de 18 anos, uma das organizadoras do evento.

Para a estudante Gabrielly Leite, de 18 anos, a marcha também é uma oportunidade para desconstruir a ideia de que mulher deve ser submissa ao homem. “Acredito que tudo o que a mulher faz é por influencia de alguma coisa. A própria mulher propaga o machismo do qual ela foi ensinada e reproduz isso”. Segunda a jovem, o movimento feminista tem de bater de frente com essa ideia. “É reivindicar o direito da mulher sobre ela mesma, com seu corpo, de se encaixar dentro da sociedade como ela quer se encaixada e não como ela deve agir e se comportar”, defende.

E uma das mulheres que se diz fora do “padrão mulher de ser” é a historiadora Maiara Moreira, de 25 anos. “Sou uma mulher que moro sozinha. Sou formada. Saí de casa sem casar, por decisão própria. Acho que isso já quebra um pouco os estereótipos. Não tenho sonho de casar. Não tenho essa vontade de construir família, por exemplo. A gente pode até se perguntar ‘Será que eu sou uma mulher?”.

A argentina Yawira Toro, de 18 anos, também veio pra luta. “Eu acho que a mulher é muito hostilizada, vítima de muita violência e discriminação. E essa marcha e para mudar isso, para parar de culpar a mulher por ter sido estuprada e para tentar colocar ela no mesmo patamar dos homens”, contou à AJN.

Quando a reportagem buscou saber o conceito de machismo pelas participantes, sobrou até para o adolescente comunicador Jonathan Moreira. Claro, de forma respeitosa. “Todos nós somos educados com machismo, inclusive eu e penso que você também. A sociedade toda é machista. Não são apenas os homens, mas as famílias, religiões, enfim”, falou Diná Ramos, articuladora cultural, de 38 anos. “Já faz muito tempo que queimamos o sutiã, que pedimos o direito ao voto. Agora estamos pedindo o direito sobre o próprio corpo, de dizer não e ser escutada. (Não é porque estou de) meia arrastão, saia curta, com a alça do meu sutiã a mostra, ou a pessoa achar que eu tenho cara de safada, não dá o direito de colocar a mão em mim, de me estuprar ou violentar. Temos que ser livres”, continuou.

#VítimaNãoÉCulpada

A Marcha da Vadias teve início no Canadá, em 2011, depois de um policial sugerir que o estupro de mulheres acabaria se elas deixassem de se vestir como vadias. A manifestação foi reproduzida por cidades do mundo inteiro.

Clique aqui para conferir o álbum de fotos do evento

 

 

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