Como se preparar para a COP 27, #Parte 06: A voz da mulher amazônida indígena brasileira

Por Amanda Costa

Fala minhas lindezas climáticas, bele? 🙂

Estamos fazendo uma viagem completa sobre o universo climático! No primeiro artigo da segunda série, aprendemos com Adriana Abdenur, da Plataforma Cipó, como está o cenário internacional para a COP 27. Já no segundo artigo, o Mateus B. Fernandes, do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS – Brasil), nos explicou o que podemos fazer para aterrissar a agenda de clima em terras brasileiras.

Agora quero compartilhar com vocês, minhas lindezas climáticas, o relato da Samela Sateré-Mawé, comunicadora indígena e uma amiga muito querida.

Samela Sateré-Mawé, comunicadora indígena e ativista

A voz da mulher amazônida indígena brasileira

Nós, povos indígenas, nascemos ativistas, estamos sempre na luta pela demarcação de terra, pela nossa língua, pela nossa cultura e pelos nossos ancestrais. Não teve um momento que me tornei ativista, quando a gente nasce indígena a gente nasce lutando.

Hoje participo do Fridays for Future, estou lá desde 2019. Neste momento estou em Paris, na França, com várias organizações que carregam a pauta climática. 

Também me posiciono nas redes sociais. Nós, povos indígenas, decidimos ocupar as telas e demarcar as redes, para que as pessoas conhecessem a nossa história, trajetória e experiências. Mostramos nossas lutas e denunciamos tudo que vem acontecendo no nosso território. Cada indigena tem a sua forma e cada organização tem a sua maneira.

Eu fui para a COP 26 – Glasgow, em 2021 e comecei a participar da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) como comunicadora, falando das leis que estavam no congresso para que as pessoas pudessem entender todos os projetos de lei que estão tramitando o nosso território. Queremos mostrar para os nossos parentes como isso está impactando o nosso território!

Precisamos democratizar essa pauta para todo mundo, desde o chão da aldeia até os parentes que vão para Brasília.

Hoje participo da Concertação pela Amazônia, organização que apoiou a minha ida para a COP 26. Nessa conferência, tivemos o discurso da Txai Suruí, participação da Sônia Guajajara e defendemos nossos biomas. Fomos para essa COP com o intuito de denunciar para os líderes globais o que aconteceu no Brasil, principalmente durante a pandemia.

Tivemos uma perda de quase 1000 indígenas, enfrentamos períodos de fake news, onde membros do governo disseram que nós, o povo que mais defende a floresta, era o responsável por queimar a Amazônia. Está na hora de quebrar o estereótipo em relação a nosso povo, nossos corpos e até mesmo os nossos territórios.

Para nós, povos indígenas, o território não é apenas um simples lugar. Chamamos corpo-território, porque nos entendemos enquanto seres vivos que estão no mesmo patamar, não queremos dominar porque não nos vemos como superiores.

Somos 305 povos indígenas que lutam pela proteção das florestas.

Em abril de 2022, nos mobilizamos no ATL (Acampamento Terra Livre) em Brasília contra o marco temporal, o PL 490.

Esse é um projeto de demarcação de terras indígenas que determina que as terras indígenas só são aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988, fazendo necessária a comprovação da posse da terra no dia da Constituição Federal.

Isso é um absurdo!

Hoje só temos 13% de território indigena demarcado, e mesmo sendo pouco, conseguimos proteger a nossa terra do garimpo, desmatamento, mineração, queimadas, caça e pesca ilegais.

É importante que a gente decolonize o sistema e ocupe todos os espaços. Por muito tempo a história foi contada apenas por um lado, o lado que venceu. Mas somos diversos, múltiplos e estamos em todos os espaços: na faculdade, na política, na internet.

Estivemos em Estocolmo, no acampamento da Tunísia do Greenpeace  e em novembro, estaremos na COP 27, no Egito.

Nada por nós sem nós!

Samela Sateré-Mawé, comunicadora indígena

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