Como se preparar para a COP 27? Parte #04

Já chegou mais uma parte da série onde eu conto tudinho sobre o que a gente pode fazer nesse tempinho que antecede a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática.

Por Amanda Costa

Fala minhas lindezas climáticas, bele? 🙂

Em novembro vai rolar a 27º Conferência sobre Mudanças Climáticas no Egito e recebi a missão de preparar uma formação para os jovens da Vira que vão para a COP pela primeira vez!

Se você chegou agora, não deixe de ler os textos anteriores:

No segundo encontro, recebemos três amigos preciosíssimos:

O encontro foi incrível!

Adriana abriu o debate falando sobre a importância de aterrissar as discussões climáticas, que muitas vezes entram num aspecto global, trazendo os impactos que vão afetar a nossa nação.

Estamos vivendo um momento histórico, no qual a transição energética justa se faz cada vez mais necessária. Apesar deste ser o tema da conferência esse ano, as tensões geopolíticas estão fortemente entrelaçadas com a questão climática.

Ex: A guerra na Ucrânia fez com que muitos países mudassem suas posições internas sobre energia limpa. Diversos países europeus, que antes recebiam gás natural da Rússia, tiveram que procurar novas fontes energéticas. A Alemanha, por exemplo, está reativando antigas usinas de carvão.

Mas vem k bb. Você sabe o que isso quer dizer para as negociações climáticas?

Muitos países em desenvolvimento, inclusive o Egito, estão dizendo: PERAÍ! Se a guerra na Ucrânia é uma justificativa para implementar retrocessos, porque a desigualdade e a pobreza não são?

Mega complexo, eu sei!

E isso afetará MUITOOOOO as discussões na COP 27,  pois temos um embate histórico entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos, que já passaram pela industrialização e insistem em dizer que não devemos olhar o recorte histórico, mas sim o cenário atual.

E agora eu te pergunto:

  • Qual é o papel do Brasil nesse rolê?

Também estamos vivendo tempos complicados, afinal de contas, enfrentamos quatro anos de Jair Bolsonaro! Estamos combatendo diversos retrocessos, como a volta da pobreza, esfacelamento da indústria, precarização da economia, desmatamento e 33 milhões de brasileiros sem ter o que comer! 

Mesmo para um futuro governo progressista, esse cenário nos colocou em uma posição complicada.

Lidamos com uma elite branca encastelada numa burguesia urbana, que se recusa a questionar a estrutura de poder e reproduz diversas injustiças, inclusive a climática e ambiental.

A real é que estamos vivendo um tempo de enfraquecimento da governança global. As instituições, que são incluídas na formulação de normas, estão cada vez mais limitadas. Governos de extrema direita atacam as Nações Unidas, sustentando o discurso de que a ONU não passa de um projeto marxista globalista, uma conspiração para impedir o desenvolvimento dos países do sul global. Isso causa um efeito muito severo, com cortes de orçamento, perda de legitimidade, autoridade e força moral. Até mesmo quando algumas normas são decididas, elas  não têm muita força de implementação.

O Brasil, que sempre teve um papel de destaque nas negociações internacionais (protagonista na formulação da Agenda 2030, foi um dos primeiros países a anunciar voluntariamente sua NDCs – contribuição nacionalmente determinada) e uma postura diplomática de articulação entre países em desenvolvimento e países ricos, chegará na COP com o peso de quatro anos de negacionismo climático.

Desse modo, temos que ser pragmáticos e analisar dois cenários:

  • Cenário A: Lula ganha as eleições, mas não tem tanta força no congresso. Como as discussões internacionais aterrissam em nosso território? Com a sociedade civil mais organizada, será que haverá oportunidade de construir um projeto efetivo de transição energética?
  • Cenário B: Lula perde as eleições ou há uma interrupção da ordem democrática. A sociedade civil precisará chegar com muito fôlego, garra e perseverança para dizer que o governo não representa o que queremos. Teremos que nos resguardar, mas também manter a nossa voz para que o nosso trabalho não seja silenciado.

Cenário complexo, né?

Por isso é fundamental a gente buscar cada vez mais conhecimento, aprofundar as nossas articulações e lutar para construir o país que queremos.

Posso contar contigo?

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