Com a aproximação dos eventos esportivos, adolescentes e jovens se reúnem para pensar políticas públicas que garantam o esporte inclusivo

Participantes terão ações de incidência e monitoramento político; Rede foi criada em 2011 e atua nas cidades sedes da Copa do Mundo no Brasil

Por Thalita Moreira, adolescente comunicadora da Agência Jovem de Notícias, e Rafael Stemberg, de Recife (PE)

No último domingo, 10 de março, 26 adolescentes e jovens estiveram presentes em Recife (PE) para pensar formas de participação nas decisões tomadas pelos governos das cidades que irão abrigar os eventos esportivos no Brasil, que irão acontecer nos próximos anos. O encontro foi um momento de fortalecimento dessa rede, conhecida como Rejupe (Rede de Adolescentes e Jovens pelo Esporte Seguro e Inclusivo), que tem como principal missão cobrar e ajudar na construção de um legado social após esses eventos.

A oportunidade de estarem juntos – eram dois representantes de cada uma das cidades sedes – possibilitou uma revisão do plano de trabalho criado em 2011, de forma a intensificar a atuação da Rejupe nesse momento que os eventos esportivos se aproximam, além de compartilhar as ações que trouxeram bons resultados em algumas cidades. O grupo também tem a missão de sensibilizar e mobilizar suas comunidades em torno do debate sobre o esporte como parte da formação integral das juventudes.

“É muito importante trazer essa reflexão para a sociedade. Parece que o esporte é uma coisa menos importante, o que não é, pois tem a ver com o desenvolvimento integral. Por isso é importante aproveitar esse momento dos grandes eventos esportivos para refletir sobre o legado social que o país deixará. Serão apenas os estádios?”, disse, em um dos momentos do encontro, Mario Volpi, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), órgão que facilita a iniciativa da rede com a parceria técnica do IIDAC.

Sobre o fato de adolescentes e jovens estarem a frente desse acompanhamento e atuação política no processo de preparação dos grandes eventos, Mario diz que a criação dessa rede possibilita uma reflexão sobre a perspectiva de quem herda esse legado.

Ações

Fortaleza (CE) é uma das cidades onde a atuação tem tido muita força. Com o apoio da Associação Recreativa e Esportiva para Crianças e Adolescentes (Arca), que oferece educadores e infraestrutura para os jovens aturem, a Rejupe tem promovido debates e fóruns em escolas, organizado campeonatos e possui cadeira nas reuniões do comitê local para a Copa.

Com 17 anos, Clara Marques é uma das mobilizadoras na cidade cearense. Para ela, o fato do trabalho ser em torno do esporte, facilita na sensibilização das pessoas, já que o tema é de interesse de muitos. “Pode unir a juventude em torno de um tema que a sociedade se interessa. Então a Rede é importante para organizarmos a ideia do direito ao esporte”, fala.

Rosana Thalia, de 15 anos e moradora de Manaus (AM), destaca a coletividade que o esporte consegue proporcionar, mas que ainda é preciso fazer um planejamento estratégico para alertar as pessoas sobre as questões políticas que envolvem, por exemplo, o pouco incentivo das escolas de fazerem os jovens se interessarem pela prática esportiva. “Temos o direito ao esporte seguro e incluso, onde podemos nos interagir com outros jovens”.

Curitiba (PR) é uma das cidades onde a Rede precisa de se rearticular. Para isso, o Instituto Pequeno Príncipe e Instituto Bom de Bola irão apadrinhar a ideia oferecendo a infraestrutura para ajudar na mobilização na região. O adolescente de 15 anos, Felipe Leite, será um dos representantes da Rede no local e se diz ansioso pelo início das atividades. “É um projeto novo para mim, pois no meu Estado está começando (a Rejupe), mas espero mudar o esporte na minha cidade”, disse.

Participe

Para participar dessa rede, basta ter sede de mudança, gostar de mobilizar outros adolescentes e jovens e estar disposto a conversar e articular reuniões com representantes dos governos e das empresas envolvidas na realização da Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas. Procure em sua cidade as formas de se juntar a quem já está nesta luta. Acesse e saiba mais: www.rejupe.org.br

 

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