Bruno Ferreira (SP)
É graças à democracia que espaços de debate são abertos para que a sociedade civil se reúna para levantar suas bandeiras e vozes na busca por alternativas que conduzam o mundo a uma efetiva humanidade igualitária. Trata-se de um momento de união entre governantes e povos interessados no bem comum.
O ano de 2012 é histórico no contexto da democracia mundial. Dos primeiros aos últimos dias do mês de junho são dedicados ao debate de alternativas para um mundo mais sustentável e justo social e ambientalmente. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) já afirma que esta é sua maior conferência em número de participantes. E para o Brasil, trata-se de um momento para comemorar e mobilizar todos os Estados a participem desse grande debate, que não se restringe à agenda oficial das Nações Unidas.
Pegando carona nessa agenda, o governo brasileiro e movimentos sociais do Brasil e do mundo aproveitam para aprofundar as discussões, fixando milhares de pessoas no Rio de Janeiro por mais de duas semanas. O debate é grandioso no número de dias, de participantes e de propostas. Estão em pauta os direitos humanos e os direitos da Mãe Terra.
A Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, propriamente, dura apenas três dias, momento em que as autoridades mundiais estarão reunidas com representantes de organizações do mundo inteiro para selarem acordos relacionados ao desenvolvimento sustentável. Será a hora também de rever os acordos firmados há 20 anos, em 1992, na ECO 92. Mas anteriormente e em paralelo a isso, outras agendas acontecem, umas encabeçadas pelo governo brasileiro e outras pela sociedade civil.
A Youth Blast – Conferência de Jovens para a Rio+20, por exemplo, faz parte da agenda oficial da ONU e governo brasileiro. É uma iniciativa da Secretaria Nacional de Juventude em parceria com o Grupo de Interesse de Crianças e Jovens da ONU, e reúne jovens brasileiros em seus dois primeiros dias; e nos três últimos, jovens estrangeiros de 112 países para debater questões que afligem e instigam essa faixa etária, uma oportunidade para a juventude do Planeta trocar ideias, conhecer e compartilhar distantes realidades e projetos que localmente conscientizam e transformam o mundo, numa perspectiva efetivamente justa.
A Cúpula dos Povos, certamente o momento mais significativo – e democrático – desse momento histórico para o planeta, ocorre paralelamente à agenda oficial, e se destaca pela relevância no exercício da democracia e pelo debate de contraponto ao que será proposto pelos líderes mundiais. Trata-se de um evento organizado pela sociedade civil com o desafio de refletir, criticar e propor alternativas às formas predatórias e desiguais de gestão historicamente consolidadas.
Nesse contexto, cabem as reivindicações e propostas do projeto internacional Terre des Hommes, presente em 32 países e que abarca outros 400 projetos relacionados à mobilização social, educação e meio ambiente; do Bikestorming, que propõe que até 2030 as cidades do mundo utilizem a bicicleta como transporte para 51% da mobilidade urbana; bem como as propostas e sistematizações do Movimento de Jovens e Políticas Públicas (MJPOP), uma iniciativa brasileira que funciona em rede, presente em nove Estados brasileiros de três regiões – Nordeste, Sudeste e Norte.
Integra essa rede o projeto coordenado por William Gonçalves Farias chamado Juventude, Arte e Cultura, do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, uma das regiões mais vulneráveis do país. Presente na Youth Blast, William que levar o seu projeto à Cúpula dos Povos. Será o momento ideal para que jovens e adultos de outras nacionalidades se enriqueçam e se inspirem com o exemplo da rede brasileira e do projeto local de Minas Gerais, assim como será o momento de William conhecer alternativas postas em prática em outros países.
Apesar das inúmeras críticas aos processos oficiais da ONU, é indiscutível que o mundo aproveita esse momento para organizar e pautar globalmente os desafios do desenvolvimento sustentável. Esta é uma oportunidade não apenas de conhecer e compartilhar, mas sobretudo de estabelecer uma rede global da qual façam parte todos os envolvidos nessas discussões de junho de 2012, no Rio de Janeiro.
Mais do que discutir propostas e pautar governos, que este seja o momento de perceber que o mundo é mais humano quando absorve de modo efetivo o senso de fraternidade. Isso implica desprendimento. E só o destino dirá se ela está pronta para abrir mão do egoísmo que individualiza necessidades, colocando todos em confronto, em prol de uma justiça social que acolha a todos em igualdade.
