Um trabalho nacional de mapeamento comunitário de jovens de várias regiões do País serve de base para que a juventude elabore propostas de melhoria na qualidade de vida local. A Rede MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas), composta por adolescentes e jovens de 14 a 28 anos se debruça sobre os problemas de comunidades, sistematizando-os para, posteriormente, propor alternativas a partir de conversas com os moradores de suas regiões.
“Os jovens mapeiam os serviços públicos, detectam problemas, reúnem-se com a comunidade, discutem os problemas que existem e tentam uma solução, procurando o poder público e estâncias maiores. Essa metodologia acontece para que a comunidade esteja interagida sobre os acontecimentos”, explica William Gonçalves Farias, coordenador do Projeto Juventude, Arte e Cultura do Vale do Jequitinhonha e integrante da Rede MJPOP.
A sensibilização para o trabalho de mapeamento realizado pelos jovens do MJPOP acontece em três fases. A primeira consiste em esclarecer os interessados sobre o trabalho do movimento; a segunda, em ministrar formações sobre participação política, orçamento e políticas públicas; e a terceira etapa é a pesquisa de campo, momento em que os participantes têm a oportunidade de vivenciar o que aprenderam na teoria em visitas a casas de moradores, postos de saúde e escolas de suas comunidades.
A visão crítica para enxergar os problemas sociais formada a partir de aulas teóricas leva os integrantes da rede à ação. Após consultas à comunidade, elaboram propostas que possam melhorar a condição de vida das pessoas.
Para a Cúpula dos Povos, o Movimento elaborou o documento A voz da Juventude – por um futuro mais justo e sustentável a partir de uma pesquisa realizada com jovens de todo o País pelo Facebook. As respostas da juventude brasileira foram sistematizadas por eixos, como Segurança Alimentar e Nutricional, Saúde, Educação e Participação. A partir delas, o Movimento orientou-se para elaborar propostas que serão levadas à Cúpula dos Povos.
“Criamos esse documento para trazer para a Rio+20 para tentar compartilhar com os outros movimentos a nossa ansiedade, o que estamos vivendo nos vários estados, porque o MJPOP é uma junção de vários estados”, explica William.
Vale do Jequitinhonha representado
Willam sente orgulho de sua região, o Vale do Jequitinhonha, que abrange o Nordeste do Estado de Minas Gerais e é conhecida por ser uma das mais pobres do País. Ele demonstra vontade de representar sua região na Cúpula, evento que deve mobilizar milhares de pessoas entre os dias 15 e 23 de junho, no Rio de Janeiro. Ele afirma que quer mostrar o que o seu Vale querido tem de melhor. ”Dizem que o Vale é muito pobre, mas tem uma cultura muito rica, que nós queremos disseminar. Queremos mostrar que o Vale tem condições, com suas próprias forças e riquezas, crescer e fortalecer. A partir disso, dentro da Cúpula dos Povos, queremos divulgar a ideia do MJPOP e trabalhos que já existem no Brasil”, afirma o coordenador.

