COP28: Resumo da Participação do Presidente Lula em Dubai

Por Daniele Savietto
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“Estamos diante do que talvez seja o maior desafio já enfrentado pela humanidade.

Em vez de unir forças, o mundo trava guerras, alimenta divisões e aprofunda a pobreza e as desigualdades. O caminho desta COP28 à COP30, no Brasil, ditará nosso futuro.” Lula 01/12/2023 – Dubai

Com palavras críticas, Lula abriu seu discurso durante sua breve passagem pela COP28 em Dubai. O presidente teve uma agenda intensa, marcada por encontros bilaterais, discursos em sessões de alto nível e a participação em eventos focados em questões climáticas e energéticas.

Confiram abaixo um breve resumo do que foi a participação de Lula durante sua passagem:

1. Encontros Bilaterais e Discussões Multilaterais

  • Lula iniciou sua agenda encontrando-se com líderes globais como Rishi Sunak, primeiro-ministro do Reino Unido, e Isaac Herzog, presidente de Israel.
  • Conversou com António Guterres, secretário-geral da ONU, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Pedro Sánchez, presidente do Governo da Espanha, e Mohamed Irfaan Ali, presidente da Guiana.
  • Destacou a importância do Brasil nas discussões climáticas globais, enfatizando o papel do país na transição energética e na oferta de energias renováveis.

2. Foco na Energia Verde e Recuperação de Terras Degradadas

  • Lula ressaltou os esforços do Brasil em energia verde e recuperação de terras, apontando a necessidade urgente de ações climáticas globais.

3. Fundo para Perdas e Danos

  • Na COP28, foi aprovada a criação do Fundo para Perdas e Danos, com promessas de contribuições superiores a 400 milhões de dólares. Lula e o negociador-chefe do Brasil, André Aranha Corrêa do Lago, sublinharam a importância do multilateralismo na busca por soluções climáticas.

4. Estratégia de Descarbonização e Cooperação Internacional

  • O Brasil, representado pelo ministro Alexandre Silveira, anunciou investimentos significativos em bio-refinarias e outros projetos de descarbonização.
  • Um acordo de cooperação entre o Brasil e o Reino Unido foi firmado, focando na descarbonização do setor industrial.

5. Participação Social e Políticas Ambientais

  • Lula se reuniu com representantes de entidades da sociedade civil, enfatizando a necessidade de participação ativa na formulação de políticas ambientais.
  • As discussões incluíram temas como a proteção de territórios indígenas e quilombolas e a criação de um Conselho Nacional pela Ação Climática e Meio Ambiente.

6. Posição do Brasil no G20 e Futuras Iniciativas

  • Com o Brasil assumindo a presidência do G20, Lula destacou a intenção de levar a questão climática para o centro das discussões do grupo.
  • O país se prepara para sediar a COP30 em 2025, com um foco contínuo em políticas de sustentabilidade e inclusão social.

Controvérsias ambientais durante a estadia

Paralelamente a esses compromissos climáticos, a controversa decisão do Brasil de se juntar ao grupo OPEP+ como país aliado gerou debates acalorados e foi recebida com ceticismo por muitos. 

Organizações ambientalistas expressaram preocupação, argumentando que tal alinhamento contradiz as promessas do Brasil de combater as mudanças climáticas. Leandro Ramos, porta-voz do Greenpeace Brasil:

 “O Brasil diz uma coisa, mas fez outra na COP 28. É inaceitável que o mesmo país que diz defender a meta de limitar o aquecimento global em 1.5º, agora esteja anunciando o seu alinhamento ao grupo dos maiores exportadores de petróleo do mundo”

O presidente tentou justificar essa posição afirmando:

“A OPEP+ eu acho importante a gente participar, porque a gente precisa convencer os países que produzem petróleo que eles precisam se preparar para reduzirem os combustíveis fósseis. E se preparar significa aproveitar o dinheiro que eles lucram com o petróleo e fazer investimento, para que um continente grande como a América Latina possa produzir combustíveis renováveis que eles precisam, sobretudo com o hidrogênio verde.”

No entanto, essa contradição foi enfatizada quando o Brasil recebeu o irônico “Prêmio Fóssil do Dia” durante a conferência. 

O prêmio, concedido pela Rede de Ação do Clima (CAN), ironiza países que bloqueiam o progresso em negociações climáticas. Para os ativistas, a adesão do Brasil à OPEP+ simbolizava uma confusão entre produção de petróleo e liderança climática.

Importante destacar que o convite à OPEP+ para o Brasil é como país aliado, não como membro efetivo. O analista independente Ricardo Schweitzer aponta que, embora o papel do Brasil no grupo não influencie diretamente nas discussões, espera-se que o país atue alinhado às decisões do cartel.

A controvérsia se acentua com os planos do Brasil de leiloar 603 novos blocos de petróleo após a COP 28, um movimento que contradiz esforços para reduzir emissões e proteger ecossistemas. 

Segundo a Agência Pública, as emissões esperadas de uma das novas fronteiras petrolíferas do Brasil, a Margem Equatorial, poderiam anular cortes de emissões obtidos pela meta de desmatamento zero até 2030.

Conclusão

Lula teve uma presença ativa durante a COP28 e tentou colocar ênfase na abordagem multifacetada do país em relação aos desafios climáticos globais. 

Neste cenário, o Brasil se posicionou como um agente crucial, não apenas promovendo a energia renovável e a descarbonização industrial, mas também desempenhando um papel significativo na cooperação internacional para abordar a crise climática. 

Além disso, as interações de Lula com líderes globais e entidades da sociedade civil não apenas fortaleceram a influência do Brasil nas esferas climática e energética, mas também destacaram a responsabilidade e o comprometimento do país em moldar um futuro sustentável.

Contudo, a decisão de aderir à OPEP+ e os planos de expansão na exploração de petróleo introduziram um elemento de complexidade na narrativa climática do Brasil. Essas ações sugerem um delicado equilíbrio entre as aspirações de influência geopolítica e as obrigações ambientais.

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Daniele Savietto

Mestre em Comunicação e Jomalismo pela Universidade de Coimbra (revalidação USP), pós-graduada em Comunicação e Midia e graduada em Comunicação e Social. Professora da Universidade Paulista, campus Jundial, voluntaria da Viração desde 2013.

Daniele Savietto

Mestre em Comunicação e Jomalismo pela Universidade de Coimbra (revalidação USP), pós-graduada em Comunicação e Midia e graduada em Comunicação e Social. Professora da Universidade Paulista, campus Jundial, voluntaria da Viração desde 2013.

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