Entre os dias 7 e 11 de abril, acontece em Brasília a 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do Brasil. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o evento reúne entre 6 mil e 10 mil indígenas de mais de 200 povos de todas as regiões do país. O ATL 2025 tem como tema “Apib somos todos nós – Em defesa da Constituição e da vida”, em referência à celebração dos 20 anos da Apib e ao enfrentamento de retrocessos nos direitos indígenas.
A programação deste ano é extensa e inclui plenárias temáticas, debates políticos, atividades culturais e atos públicos. Um dos destaques é a tradicional marcha na Esplanada dos Ministérios, marcada para terça-feira, 8 de abril, com o lema “Nosso futuro não está à venda!”, uma resposta direta ao avanço de políticas que ameaçam a demarcação de terras e a vida dos povos originários, como a tese do Marco Temporal.
Projetos e Iniciativas – Perspectivas para 2025
O ATL 2025 também é espaço para o fortalecimento de iniciativas que colocam os povos indígenas no centro da agenda ambiental e climática. A programação traz debates sobre a continuidade e expansão de projetos como “Nossa Terra, Nossa Mãe” e a “Aliança dos Povos Indígenas pelas Florestas da Amazônia Oriental”, que incentivam a autonomia na gestão territorial e promovem a conservação da biodiversidade.
Outros temas que estarão em destaque são as tecnologias sociais indígenas, a bioeconomia e a defesa de mecanismos de financiamento climático direto para as comunidades indígenas. Essas discussões têm como objetivo preparar uma participação ativa e qualificada dos povos indígenas na COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA). A defesa da demarcação como política climática central e a proteção dos territórios tradicionais serão bandeiras fundamentais levadas ao evento internacional.
Educação, infância, juventude e articulações estratégicas
A participação das juventudes indígenas tem crescido a cada edição do ATL. Jovens lideranças ocupam espaços nas plenárias e organizam atividades próprias de formação, mobilização e comunicação. Essa presença é fundamental para a construção de estratégias de longo prazo na defesa dos direitos indígenas. A Agência Jovem de Notícias, programa de jornalismo educomunicativo independente idealizado e mantido pela Viração, fará a cobertura colaborativa do evento, com a atuação de jovens comunicadores e ativistas que irão acompanhar agendas e produzir conteúdo para as redes sociais e para o site.
Para Monise Berno, coordenadora da AJN no Brasil, ter jovens comunicadores participando e cobrindo o ATL 2025 a partir de Educomunicação representa uma oportunidade de virar a chave lógica das discussões sobre a crise climática: “garantir que jovens vivenciem e produzam conteúdo sobre eventos como o Acampamento Terra Livre é essencial para que as questões relativas aos direitos humanos dos povos indígenas do Brasil ganhem cada vez mais espaço e apoio entre a juventude. Acompanhar as discussões sobre a pauta climática a partir do ponto de vista das comunidades originárias é uma oportunidade de mudar as perspectivas de aprendizado para o ativismo, uma virada de chave para a formação continuada dos jovens comunicadores indígenas e não indígenas.”
A Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) também participa do ATL, contribuindo com formações e relatorias. Em anos anteriores, a instituição apoiou a sistematização dos debates e a realização de atividades voltadas à educação escolar indígena, além de integrar ações com as crianças no espaço da Tenda Parentinhos. Em 2025, Flacso é parceira da Viração na cobertura colaborativa para a Agência Jovem.
Rumo à COP30: articulação internacional e política climática
A proximidade da COP30 em território brasileiro fortalece a dimensão internacional do ATL 2025. A campanha “A Resposta Somos Nós”, lançada pela Apib, reforça que os povos indígenas são protagonistas no enfrentamento da crise climática. A mobilização em Brasília pretende consolidar propostas e alianças que serão levadas à conferência climática da ONU.
A mensagem dos povos indígenas é clara: não há justiça climática sem justiça territorial. A demarcação das terras indígenas é entendida como uma das ações mais eficazes para proteger a floresta e enfrentar a emergência climática. O ATL 2025 é, portanto, mais do que uma mobilização – é um espaço de articulação política e estratégia global.
Conheça a programação completa do ATL 2025 aqui.
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Com informações de Apib, Brasil de Fato, Agência Brasil e Agência Pública.