A maioria de nós ouve falar frequentemente sobre negociações multilaterais para lidar com as mudanças climáticas: as chamadas Conferências das Partes (COPs). No entanto, poucos provavelmente sabem que, na verdade, existem três COPs.
Durante a Cúpula da Terra de 1992, no Rio de Janeiro, foram assinados três acordos distintos: a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD).
A primeira — a mais conhecida — é realizada anualmente, enquanto as outras duas são realizadas a cada dois anos.
Em um evento paralelo — um espaço reservado para organizações não governamentais e intergovernamentais com acesso limitado às negociações formais — na COP30 em Belém, em 17 de novembro, intitulado “Do Rio a Belém: Ação sinérgica para a restauração de ecossistemas e resiliência climática”, a profunda complementaridade entre as três COPs foi reafirmada, décadas depois e mais uma vez no Brasil.
Desde o evento no Rio, as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a desertificação têm sido consideradas fenômenos intimamente interligados que representam desafios existenciais para a humanidade.
O painel do evento, dividido em três segmentos e composto por 14 pessoas, incluiu: os três Secretários Executivos das três Convenções — Simon Stiell (UNFCCC), Astrid Schomaker (CBD) e Andrea Meza Murillo (UNCCD); cinco Ministros do Meio Ambiente do Brasil e dos países anfitriões das COP 16 e 17 (CBD e UNCCD); e seis representantes da sociedade civil, incluindo Hindou Oumarou Ibrahim, Presidente e Coordenadora da Associação de Mulheres e Povos Indígenas do Chade (AFPAT), Sonia Jean Jaques, Secretária dos Povos Indígenas do estado brasileiro do Amapá, e Emmanuel Seck, Diretor Executivo da ENDA Energie, uma organização da sociedade civil sediada no Senegal.
Em seus discursos, todos enfatizaram que, também em Belém, a palavra-chave continua sendo “sinergia”, pois somente “a ação integrada trará resultados mais imediatos e, ao mesmo tempo, mais duradouros”.
As mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a desertificação não são problemas que podem ser abordados isoladamente ou, nas palavras de um dos participantes, que podem ser “segregados por uma mentalidade cartesiana” que opera unicamente por meio de conceitos separados e distintos.
As três crises estão inextricavelmente ligadas e trabalhar em soluções sinérgicas e holísticas “não é um luxo, mas uma necessidade”, dada a gravidade da situação atual.
As três crises devem ser abordadas de forma coesa e coerente, pois somente assim se alcançará um resultado cujo valor seja maior do que a soma dos esforços individuais.
Na COP30 em Belém, reiterou-se firmemente que não se pode priorizar uma das três Convenções — “não existem três planetas, um para cada COP” — mas sim que deve haver uma ação conjunta que aproveite as sinergias: sinergias entre nações; entre ciência, política e sociedade civil; entre gerações; entre os setores público e privado; e entre o conhecimento técnico e científico e a sabedoria dos povos indígenas locais. Assim, “as sinergias são o único caminho possível” para uma ação concreta e eficaz contra os fenômenos ligados às mudanças climáticas.
Foto: Raimundo Paccó/COP30