Barqueata dos Povos: espaço livre e democrático nas águas de Belém

Por Mirella Archangelo
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A Cúpula dos Povos é um dos diferenciais de estar em Belém para a COP 30. Ao trazer a sociedade civil para o centro das discussões, a barqueata proporcionou um espaço livre e plural para os movimentos e organizações sociais reivindicarem medidas efetivas para frear a crise climática. 

A Cúpula dos Povos começou no dia 12 de novembro, com uma barqueata que reuniu mais de 200 embarcações na Baía do Guajará, em um ato simbólico pela Amazônia e pela justiça climática. Esse movimento levou cerca de 5 mil pessoas de 60 países aos rios que cercam Belém do Pará. 

Nas embarcações com faixas e cartazes, os participantes protestavam contra o agronegócio nos territórios e defendiam a vida sustentável das populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas. O navio da organização não governamental Greenpeace carregava um grande cartaz com as seguintes palavras: “Action, justice, hope”. Outras embarcações levavam cartazes com frases como: “Crise climática: Somos todos atingidos” e “Não há saúde sem justiça ambiental”. 

O percurso da barqueata começou na Universidade Federal do Pará (UFPA), território da Cúpula dos Povos, e seguiu até a Vila da Barca. Essa área de palafitas é um símbolo das contradições sociais e ambientais porque, enquanto ocorreu uma revitalização em toda Belém para a COP 30, esse foi um dos territórios esquecidos pelo governo ao não receber melhorias. Como também, os moradores dessa região lutam há décadas contra a especulação imobiliária. 

A Cúpula dos Povos reforçou que a barqueata é um manifesto fluvial com a participação de mais 1,2 mil movimentos, organizações e redes do Brasil e do exterior. É um ato que representa o espírito da conferência.

PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS ATÉ OS MAIS VELHOS

Durante a barqueata, a equipe da Agência Jovem de Notícias conversou com R. M. de 11 anos, uma criança da Comunidade de Maribel, que participava pela primeira vez da COP 30 por meio do projeto “Cardápio dos Sonhos”, uma  iniciativa que apresentava o que as crianças desejavam comer nas escolas. Maria contou que estava empolgada e animada para a barqueata e deseja que a COP 30 traga educação de qualidade e segurança para as crianças. 

Morador antigo de Manaus, Albertino Leão, compartilhou com a nossa equipe a importância desse evento ao mobilizar a força dos movimentos sociais do Brasil e do mundo. “Essa demonstração dos movimentos sociais com certeza vai influenciar nas decisões da COP 30”. Albertino relatou que esse é o momento do mundo conhecer a Amazônia de verdade para retirar essa visão distorcida do local. Adicionou também que a COP 30 abre espaço para interação dos povos que se organizam pela justiça climática. “Eu acredito que vamos sair mais fortalecidos não só na questão do clima, mas enquanto organizações para lutar por direitos, por igualdade e pela humanização do planeta.” 

A Barqueata foi um dos diferenciais da Cúpula dos Povos, ao trazer os movimentos sociais para protestarem nos rios de Belém, uma vez que esses rios são considerados ruas para muitos moradores da região ao utilizarem as embarcações como principal meio de transporte. Esse foi um momento histórico que abriu diversas discussões acerca da importância de preservar os rios, mares e oceanos do Brasil e mundo.

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