Álcool e adolescência não combinam!

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Por adolescentes mobilizadores do Virando a Calçada*

Se você é um daqueles adolescentes que acham que uma cervejinha de vez em quando não faz mal nenhum. Pelo contrário, até te faz parecer descolado/a, ajuda a te deixar mais relaxado/a para a paquera e ser mais engraçado com a turma. Você precisa saber: está completamente enganado.

Bebida e adolescência são coisas que não combinam. Além de estar na Lei, a proibição do consumo de bebidas alcoólicas na adolescência, tem razões profundas, que visam garantir um desenvolvimento físico e emocional saudável . A Lei existe justamente para proteger crianças e adolescentes dos riscos que o álcool representa para elas. A gente acha que um gole só, na festinha em família ou com os amigos, não faz mal.

E muitas vezes esse consumo é incentivado pela própria família. Não é que eles queiram o mal dos seus adolescentes, mas o consumo do álcool é tão popularizado e naturalizado em nossa sociedade que, em geral, as pessoas não param para pensar nos danos que ele pode causar quando consumido em excesso pelos adultos e em qualquer dose por crianças e adolescentes.

Os danos causado pelo consumo do álcool na adolescência

Mas você pode estar se perguntando: Afinal, quais são os problemas que as bebidas alcoólicas causam para adolescentes? A ideia aqui não é colocar medo em ninguém, nem fazer uma espécie de ‘prevenção terrorista’, apenas dar informações importantes que nos ajudam a refletir sobre a relação de adolescentes com o álcool.

Muito bem, um dos principais problemas provocados pelo consumo precoce da bebida alcoólica é o risco de dependência. Sim, quanto mais cedo se experimenta o álcool, maior a chance de se viciar no futuro. Portanto, o ideal é adiar ao máximo o primeiro contato, garantindo um consumo saudável e não problemático quando adultos.

As mudanças físicas, psicológicas e de comportamento dos adolescentes se dão por uma série de alterações no nosso corpo e também no nosso sistema nervoso central [responsável por receber e processar informações] que ainda está em fase de desenvolvimento. O álcool altera o desenvolvimento normal desse sistema, prejudicando sua formação, podendo interferir na formação de personalidade, na memória, concentração e aprendizagem. Muito prejuízo, não?

Mas se a gente sabe que faz mal e  se a Lei proíbe, porque ainda tem tantos adolescentes que consomem bebidas alcoólicas?

O adolescente Luiz Felipe Bessa, 17, acredita que adolescentes que procuram pelo contato com o álcool precocemente “querem avançar uma etapa da vida, para se tornar adulto mais rápido, ou até mesmo para ter o prazer de ficar fora de si”, avalia.

Gabriel Fernandes, 18, leva em conta também as influências externas. “Eles são influenciados culturalmente a beber e associam bebida com diversão”.

O educador social, Webert Cruz, 20, acredita “que as bebida alcoólicas tem sido cada vez promovidas, comercializadas e consumidas como algo simples e normal por todo mundo. O que acarreta que adolescentes também entendem que beber é normal, independente da idade, porque afinal todo mundo bebe e é legal. Essa ideia do “é legal beber” carrega consigo uma série de negligenciamentos, desde a irresponsabilidade do vendedor de bebida alcoólica vender para menores de 18 anos, até os próprios pais, amigos ou responsáveis maiores de 18 anos que bebem, tratarem a bebida como algo tranquilo para com adolescentes, sem muitas vezes entender o quanto a bebida pode ser ruim para um ser humano que ainda está em fase de desenvolvimento.”

Como prevenir?

Bom, a gente sabe que medidas de prevenção estão sempre postas à prova. E pra funcionar mesmo, é preciso ouvir dos próprios adolescentes: como prevenir o consumo precoce de álcool? Fomos ouvir a opinião da galera.

O Reynaldo Azevedo, 17, pensa que “primeiramente é preciso conscientizar sobre os problemas que o álcool pode causar na vida dos adolescentes e jovens, e mostrar que existe outras possibilidades de curtir a vida que não necessita de álcool e outras drogas, mas se o jovem optar por ingerir ou utilizar que seja de forma consistente, que não degrade sua própria vida!”

E o Gabriel foi super radical, ele acha melhor “barrar qualquer tipo de publicidade relacionada a álcool, conscientizar os pais por meio de campanhas e falar um pouco sobre álcool e drogas nas escolas”.

A Jéssica Delcarro, 19, educadora social, aposta na força dos projetos sociais. “Acredito que projetos sociais que tenham cunho cultural e artrítico podem ajudar os adolescentes a se manterem longe do álcool, além de trabalhar o tema da prevenção de maneira divertida e agradável”.

O educador social, Magno Duarte acredita que é preciso encontrar uma abordagem acertada para tratar do tema. “Se por um lado não podemos ter um olhar e nem uma abordagem moralista – até por que não surte efeito. Por outro, penso que devemos alertar para as consequências do uso de álcool na adolescência e sobre as questões de saúde e sociais que podem advir desse consumo. É um tema bem complicado. Vale também ressaltar que bebidas alcoólicas – apesar de muito aceitas socialmente – também causam dependência”.

E você, o que pensa? Já pensou em fazer algo a respeito? Primeiro se mantenha longe de bebidas alcoólicas, você vai descobrir que existe uma infinidade de formas de se divertir, de romper as barreiras da timidez, de desanuviar a mente das preocupações, sem ter que recorrer ao álcool. Experimente ouvir música, conhecer novas bandas, caminhar, cuidar de um bichinho de estimação, escrever um blog, bater um bom papo com um amigo, etc.

Depois, caso conheça algum adolescente que consuma alcool, que tal levar um papo com ele/a e falar sobre tudo que leu aqui. Uma campanha de prevenção com a moçada da escola e do bairro também pode ser legal. Vocês podem fazer esquetes, cartazes, spots, e mais um monte de coisas pra chamar atenção da galera sobre o tema. Pra ter uma ideia, dê uma olhada no vídeo da intervenção que os jovens do Virando a Calçada promoveu no ano passado. 

* Virando a calçada é um projeto da Viração, realizado com o apoio da AMBEV, que prevê ações educomunicativas para a prevenção do uso de álcool entre adolescentes.

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