Afinal, os jovens de hoje perderam a sua motivação?

A geração atual é muito criticada por não ter disposição ou estar muito alienada por passar muito tempo ligada nas redes sociais fazendo uso exagerado dos aparelhos eletrônicos e tecnológicos. Porém, isso acaba inviabilizando a cultura jovem e a forma com que as políticas sociais são trabalhadas para as pautas da juventude. Pensando nesse cenário, esse texto trará a reflexão sobre os ideais dos jovens de hoje e os das gerações anteriores, será que algo realmente mudou?

Por Duda Matias, da Redação

 juventude é muito questionada e desacreditada por toda a sociedade. Não somos adultos, não somos crianças, não podemos opinar porque não sabemos de nada, não somos formados ou não temos vivência o suficiente para poder abordar qualquer assunto que tenha um pouco mais de conteúdo.

Nós somos chamados de muitas coisas, preguiçosos, vagabundos, sem o que fazer, encostados, militantes, mimizentos e vários outros adjetivos que descredibilizam as nossas ideias, a nossa força, as nossas ambições e até mesmo o nosso caráter. E isso afeta a construção da autoestima e personalidade de muitos de nós, principalmente quando falamos sobre identidade.

Se não sou isso ou aquilo e o que quero ser e o que eu penso é constantemente julgado, o que eu sou? O que eu posso ser e o que eu devo pensar?

Essas são apenas algumas das perguntas que os milhares de jovens que buscam entender a sua existência e estão se auto conhecendo, se descobrindo, se encaixando em grupos, aprendendo novos interesses e procurando seu lugar no mundo. Essa questão é decisiva no momento em que mais nos perguntamos “quem nós somos?”

E o mundo parece que insiste em invalidar todas as direções que caminhamos.“Os jovens de hoje não prestam, não estudam, não querem um futuro”, ”Se depender dessa geração, onde o mundo vai parar?” “Que Deus cuide desses adolescentes e os façam ter juízo.” Além dessas, existem muitas outras frases que já fazem parte da nossa rotina, quase 100% das vezes, essas frases são proferidas por adultos ou idosos uma ou duas gerações antes da nossa.

O que nos leva a refletir, a origem desses discursos que se permanecem incessantes ao longo de vários anos.

 O que mudou de algumas gerações para cá?

Entre 1960 e 1980, os jovens estavam indo às ruas protestar contra a ditadura militar e a favor da democracia, esse apelo popular que era guiado por músicos e intelectuais da época, que por meio da arte expressavam o desejo de paz.

Jovens com engajamento político, participantes dos movimentos sociais, cheios de vida e esperança. Eram os jovens gerados pela ditadura. Tinham pouca liberdade, a democracia era quase inexistente, o ar para respirar era pouco. Por isso, era preciso lutar e se organizar. Fazia sentido ser militante, esquecer a família, os objetivos pessoais e as questões menores do dia a dia. Era construtor do novo e do futuro.

A partir do início dos anos 90, as crianças viam e viviam a luta dos pais pela sobrevivência. Marcados pela ausência, pelo desemprego em massa que atingiu a todos, pelo esvaziamento de valores humanos, substituídos pelo individualismo exacerbado e pelo consumismo.

Não há mais sentido em lutar pelo outro ou junto com os outros. Para que se doar, para que participar de associações solidárias? Quando muito, rezo para meu Deus resolver os meus problemas imediatos. Cuido das minhas coisas e dos outros que se danem. O negócio é ganhar dinheiro e sobreviver, o resto não importa.

E ainda, nos anos 2000 a internet chegou, revolucionou o comportamento da juventude, os tornou alienados, transtornados e viciados, como dizem por aí.

Mas será que isso realmente aconteceu? 

A pesquisa protagonizada pela WMcCann “A verdade sobre a juventude global” divulgou que embora todas essas mudanças tenham acontecido, os valores dos jovens permanecem os mesmos. A convicção que nos move é obtida por 3 princípios: a autenticidade, a justiça e o compartilhamento. 

Autenticidade: Poder enxergar a realidade como realmente é, ser movido por isso, querer transformá-la e querer fazer a diferença, ter força e coragem para agir.

Justiça: Ter o olhar de igualdade, não tolerar injustiças, fazer o possível para diminuir desigualdades e tornar a sociedade mais justa.

Compartilhamento: Espalhar a sua visão de mundo, conectar-se, criar laços, se comunicar, existir e fazer com que seja visto.

Essas três coisas estão presentes nas ambições de todos os jovens, seja da geração atual ou as anteriores. Independente da época, a energia para transformar o presente permanece em nós e é quando ela está no seu ápice. 

Ou seja: na verdade, os jovens continuam mais ativos do que nunca, principalmente porque agora temos a ajuda da tecnologia, que faz tudo se propagar mais rápido e mais longe. Nós não estamos mais perdidos ou preguiçosos, apenas achamos um novo espaço para expressar nossa sede inesgotável de mudar, visar, renovar.

Os nossos jovens estão ansiando pelo novo e exigindo a responsabilidade das gerações anteriores, e isso nem sempre é visto com bons olhos. Mas que continuemos nossas lutas, individuais ou sociais, e que o nosso combustível seja ver as alterações que trarão um presente e um futuro melhor. Vamos queimar.

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