A importância de escritores negros na Literatura

Tive a oportunidade de mediar uma roda de conversa para falar sobre Literatura e como as narrativas, por muito tempo, apagaram a presença da comunidade negra da sociedade. Vem que eu conto como foi esse diálogo!

Por Camila Alves

Em comemoração aos 20 anos da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, a 7ª edição da FeirÁfrica – evento formativo para educadores com o objetivo de possibilitar o acesso e a promoção da história e cultura africana e afrobrasileira – abriu um espaço para abordar a pauta sobre “Literatura de Autoria Negra”, ministrada por mim.

“Quando falamos em África, qual a primeira coisa que vem à sua cabeça?” Essa foi uma das experiências compartilhadas por um educador durante a roda. Em resposta, ele disse que o que mais ouve são apenas estereótipos que foram construídos a partir das narrativas que colocaram sob a África – ou seja, antes de falar sobre literatura de fato, precisamos compreender sob qual olhar nós conhecemos o continente Africano e como isso nos afeta. 

Maravilhosamente, o principal livro que utilizei para contextualizar e mediar a conversa foi “O perigo de uma história única”, da Chimamanda Ngozi Adichie. Nele, a autora conta um pouco sobre a sua infância e como foi afetada pelas histórias únicas que a rodeavam. Ela cresceu com a visão da menina loira, de pele clara e de olhos azuis – além da espera de um “príncipe encantado”, com as mesmas características físicas. Porém, ao perceber que ela era diferente, começou o questionamento de “Quem sou eu?”, “Onde estão as  narrativas que contam a história do meu povo?”.

Roda de Conversa sobre Literatura de Autoria Negra. Foto: Acervo pessoal.

Ainda encontramos nas escolas, principalmente nas aulas de História, a associação de “África = Escravidão, selva e pobreza” ao falar sobre o continente, como se não tivesse acontecido nada mais por ali. Mas e o outro lado, quando será contada? Por que houve o apagamento dessas narrativas na história?

Além desse livro e de toda conversa em volta dele, indiquei outras obras importantes para o aumento de repertório pessoal sobre literatura de autoria negra, mas também para que os educadores presentes pudessem compartilhar dentro da sala de aula com seus alunos, independente da modalidade. 

Indicações de Livros. Foto: Acervo pessoal.

Pensando na realidade territorial dos presentes, conversamos bastante sobre a importância de levar esse assunto para a sala de aula, a fim de desconstruir as várias camadas de preconceitos e estereótipos que nós e nossos alunos carregam – resultado de crescermos sob um único ponto de vista.

Outra referência, além dos livros indicados, foi toda a importância que o grupo Racionais MC conquistou e vem conquistando ainda mais – O livro “Sobrevivendo no Inferno” entrou para a lista de livros obrigatórios da FUVEST; saiu, recentemente, um documentário contando a história do grupo e, por último, o trabalho que o Mano Brown vem fazendo no podcast Mano a Mano. O grupo narra a realidade onde moram e mostram que, mesmo que tentem apagar a história – como aconteceu no Massacre do Carandiru (Em “Sobrevivendo no Inferno”, eles contam sobre o acontecimento na música: Diário de um Detento), eles não vão parar.

Por isso, a principal mensagem que eu gostaria de deixar é: Não deixe que ninguém conte a sua história. Você é protagonista dela! Que esse e outros assuntos relacionados saiam da bolha e entrem em lugares de difícil acesso.

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